Festival ZUM 2026 ocupa o IMS Paulista com fotografia, cinema e fotolivros
Edição deste ano é mais um dos presentes do mês de novembro para os amantes dos impressos
Eu já falei que novembro vai ser um mês dos bons para os impressos, e mais um evento que movimenta a agenda é o Festival ZUM, que acontece entre os dias 7 e 8 de novembro, no IMS Paulista. O evento é tocado pela revista ZUM, publicação semestral do Instituto Moreira Salles dedicada à fotografia, e reúne debates, oficinas, exposições e uma feira de fotolivros. Toda a programação tem entrada gratuita.
Durante a abertura, que acontece no sábado, autores e editores apresentam as publicações selecionadas na Convocatória de Fotolivros 2026 e a organização anuncia os premiados. A exposição com os trabalhos da convocatória fica aberta ao público durante os dois dias, também na Biblioteca. Ah! O fanzine O último verão antes da guerra, do Luciano Albertazzi Bravo, do qual já falamos por aqui, está entre os selecionados.
No térreo, a Feira & Lançamentos de Fotolivros funciona das 10h às 18h, e é lá que editoras independentes, fotógrafos e leitores se encontram. Já no foyer do teatro estará a instalação Doze flechas feitas de água, de Inaê Moreira, artista multimídia, diretora e performer baiana, que venceu a Bolsa ZUM/IMS 2025. A obra faz parte da conversa que abre as mesas do sábado e fica em cartaz também no domingo.

As conversas acontecem no Cinema do IMS, com interpretação em Libras. A primeira, às 14h30, chama-se Habitar territórios. Renan Teles, Valentina Tong e Inaê Moreira falam de disputas urbanas, ambientais e históricas. Renan retrata moradores das quebradas de São Paulo, Valentina documenta a destruição das montanhas capixabas pela indústria de pedras ornamentais, e Inaê atravessa o Atlântico puxando as conexões entre Salvador e o Benin. A mediação é de Rony Maltz, editor da revista ZUM.
Ainda no sábado rola a mesa Memórias urgentes, que junta Paula Sampaio e Ana Aurora Borges. Paula mostra registros de populações amazônicas e de seus conflitos, feitos ao longo de décadas vivendo em Belém. Ana Aurora conta o desafio de preservar a obra do pai, o fotojornalista Antônio Gaudério, que perdeu a memória após um acidente em 2008.
A noite fica por conta de Carrie Mae Weems, um dos grandes nomes da arte contemporânea mundial. A artista norte-americana apresenta quatro décadas de trabalho em que a fotografia serve para discutir poder, identidade e ativismo. Aldeide Delgado, fundadora da Women Photographers International Archive, e Daniele Queiroz, curadora de Arte Contemporânea do IMS, conversam com ela.



The Kitchen Table Series, de Carrie Mae Weems (1990).
No domingo a brincadeira começa cedo. Às 10h30, a oficina Publicações Possíveis convida geral a criar, editar e produzir uma publicação coletiva. Quem administra para que tudo saia nos conformes são Arturo Salazar e José Ruiz, da Ediciones Réplica, coletivo colombiano que pesquisa e publica a história da fotografia latino-americana a partir de arquivos.
Às 11h, na Biblioteca, Aldeide Delgado e Daniele Queiroz conversam sobre Mulheres na fotografia das Américas. O papo trata dos desafios que as mulheres enfrentam no circuito fotográfico e das iniciativas de coletivos e artistas do continente.
Mais tarde, Pulsão de vida reúne Lia D Castro e Manauara Clandestina, com mediação da artista Cinthia Marcelle. Lia usa polaroides e fotos de celular para investigar ódio e desejo, masculinidade e branquitude a partir da experiência com a prostituição. Manauara, artista de Manaus que passou pelas bienais de Veneza, São Paulo e Gwangju, constrói um arquivo que celebra o cotidiano da comunidade travesti.
No final, tudo acaba em cinema. Em Democracia em movimento, Adirley Queirós e Anna Muylaert, diretores de Mato seco em chamas (2022) e Que horas ela volta? (2015), discutem a responsabilidade do cinema ao narrar a história do Brasil e fortalecer visões de mundo mais democráticas e igualitárias.

A feira, as exposições e as conversas de abertura e da Biblioteca têm entrada por ordem de chegada, com lugares limitados. Para as mesas do Cinema, a distribuição de senhas começa às 12h, com limite de uma por pessoa, e vale para qualquer mesa do dia. Para a oficina, as senhas saem 30 minutos antes. Fica a dica de chegar cedo para garantir presença, principalmente nas mesas mais concorridas como a da Carrie Mae Weems.
SERVIÇO
Festival ZUM 2026
7 e 8 de novembro.
Avenida Paulista, 2424, São Paulo/SP - 8º andar.
Entrada gratuita.