Miolo(s) 2026 chega fazendo barulho com impressos do Brasil e da América Latina

13ª edição da feira ocupa a Biblioteca Mário de Andrade nos dias 7 e 8 de novembro, depois de uma semana de esquenta

Miolo(s) 2026 chega fazendo barulho com impressos do Brasil e da América Latina

Novembro costuma ser um mês bem legal para quem curte impressos, e a primeira semana já tem datas que valem salvar na agenda. Nos dias 7 e 8, a Feira Miolo(s) volta à Biblioteca Mário de Andrade com cerca de 300 editoras, coletivos, ateliês, livrarias e artistas espalhados pelas salas e corredores do prédio. Organizada pela BMA em parceria com a Lote 42 desde 2014, a feira nunca repete a fórmula, e a edição deste ano traz novidades.

Pela primeira vez, a Miolo(s) conta com um curador convidado, o pesquisador e artista visual cearense Weaver Lima. A carreira dele conversa diretamente com o espírito do evento. Desde os anos 1990, Weaver edita zines de quadrinhos e arte-xerox com o grupo Seres Urbanos, ao qual a antologia do quadrinho underground cearense levou o Prêmio Miolo(s) na categoria HQ em 2015. Hoje ele dirige a produtora MONSTRA e assina o documentário Ceará Marginal, que já atravessa cinco décadas de produção gráfica independente.

A presença de Weaver talvez seja a maior manifestação da ideia de descentralizar a produção de impressos no Brasil e na América Latina, visão que vem sendo construída há algumas edições. Aliás, outra novidade de fronteiras está na informação de que 30 expositores estão vindo da Argentina, Chile, Colômbia e Peru, o maior número da história da feira.

Antes da feira em si, a Biblioteca Mário de Andrade vira sala de aula e ponto de encontro. De 3 a 6 de novembro, rola o ciclo de formação com oficinas de impressão analógica, caminhada pela cidade e conversas abertas sobre publicação independente, mercado e a cena gráfica latino-americana. Tudo na faixa e sem necessidade de inscrição. Só chegar e participar.

Entre alguns destaques da programação do esquenta, estão a conversa com o artista e arquiteto espanhol Miguel Rodríguez, que fala sobre cidade como suporte editorial; o Giro Miolo(s), que funciona como sessão de abertura da feira e apresenta toda a programação, além de ser uma oportunidade massa de conhecer a identidade visual deste ano pela voz de quem a desenvolveu, o artista gráfico Gustavo Piqueira; tem o laborátorio de impressão por stencil, serigrafia, carimbos e gravuras tocado pelo coletivo colombiano LocoSAPIENs, e um espaço de troca e conexão para a galera que trabalha com impressos, o “Venda seu peixe”. 

No final de semana dos dias 7 e 8 a Feira começa de verdade e duas mostras chegam para ocupar o coredor de vidro que conecta as entradas da São Luís com a Consolação. A artesanalindustrial, que defende que o impresso nasce da organização criativa de tecnologias, técnicas e conhecimentos, e a mostra de lançamentos, que dá destaque para centenas de publicações inéditas.

Entre as atividades paralelas, o curador Weaver Lima cuida das visitas guiadas enquanto no hall da Consolação, Maroca Sampaio monta um ateliê aberto de cartazetes com xerografia. Na entrada da São Luís fica a estação de carimbos CMYK que ensina a escala de cores criando um marcador de páginas, com arte de Piqueira e estrutura impressa em 3D pelo laboratório Bolha.

Como já é tradição na Miolo(s), os expositores se revezam entre sábado e domingo. No sábado, vale passar na Kinoruss e na Lote 42, além do TEAR, de Guarulhos. No domingo, o time inclui Lovely House, Banca Tatuí e CDR Ink Print. Os ateliês de LocoSAPIEN's, La Tipo e Taller La Cómplice ficam os dois dias, então fica a dica para saber o que nossos irmãos de fronteira estão produzindo.

Resumindo, tem coisa para cacete para fazer em um único espaço. Vale conferir o mapa e a lista completa de participantes no site, separar uma graninha para zines e sair com a bag pesada.


ISMO
Cultura em movimento

Assine nossa newsletter e receba
as últimas notícias em 1ª mão!

Assine agora