A relação da Stone Island com o futebol vai muito além das collabs recentes
Como uma marca italiana virou sinônimo de torcida na Europa e fez seu caminho dentro do esporte mais famoso do mundo
A Stone Island é uma marca reconhecida por luxo e estilo high end, com produtos chegando a custar quase 18 mil reais. Hoje a marca está nesse lugar, mas houve uma época em que foi cooptada pelas ruas de Londres, Manchester e Liverpool e se tornou uma aliada a um grupo bem específico: os hooligans da Inglaterra.
A Stone Island é uma marca fundada em 1982 pelo designer italiano Massimo Osti, que logo viria ganhar notoriedade pelo uso de diferentes materiais em seus casacos, tipo a Tela Stella, material militar de lona pesada que fora sua fundação - a marca nasceu dentro da C.P. Company, onde não tinha muito espaço para ousar nos materiais, sendo assim quase que obrigada a surgir com um nome próprio. A inspiração dos romances náuticos lidos por Massimo deu origem ao nome e o patch de bússola viria ser marca registrada da Stone Island.
A marca logo se estabeleceu na comunidade fashion italiana, mas nos anos 80 ainda, uma relação um pouco inusitada fortaleceu ainda mais sua presença em outros países da Europa: os torcedores ingleses, viajantes com seus times participando de competições europeias, abraçaram a marca da bússola e fizeram ser sua vestimenta casual.
A cultura hooligan foi muito importante para a marca, espalhando sua notoriedade de nicho, fazendo ser quase sinônimo. Nos anos 80, marcas como Lacoste, Fila e Stone Island, que não foram criadas no Reino Unido, se tornaram populares por esses fãs viajantes que estavam bastante atentos ao que outras pessoas estavam usando em suas cidades. A Stone Island veio dos Paninaro, uma subcultura de jovens italianos que davam rolês em bares "Panini” em Milão, usando jaquetas da marca, misturando outros estilos embaixo de uma jaquetona funcional e estilosa da Stone Island.

Assim nascia a Terrace Casual Movement, um movimento de cultura e torcida, misturando futebol e estilo, mesclando marcas e símbolos europeus. A torcida do Liverpool, por exemplo, foi uma das pioneiras do movimento, mesclando o estilo da classe trabalhadora com a funcionalidade de tênis esportivos e camisas de marcas europeias. Existe até uma lenda que torcedores ingleses roubaram itens da Stone Island em lojas suecas após uma viagem para ver a Inglaterra ser eliminada na Euro em 1992.


Os Terracers misturando marcas europeias (fotos: arquivo 80s Casual Classics)
A Stone Island virou quase que um uniforme de torcedores por toda a Inglaterra e partir disso, virou também uma peça de desejo por jovens por todo Reino Unido. Bandas como Happy Mondays, Oasis e Stone Roses logo adotariam a bússola em fotos e apresentações, fazendo a marca ganhar ainda mais adeptos.

Nas décadas seguintes, a procura pela marca não se limitou a torcedores e fãs de britpop, sendo uma marca atrelada à moda jovem masculina britânica. A galera do grime, por exemplo, também adotou casacos da Stone Island, muito também pela influência do futebol no gênero.

Massimo Osti faleceu em 2005, aos 60 anos, na Bolonha, Itália, mas sua marca atravessou sua geração e localidade. No mesmo ano, o filme Hooligans, estrelado por Elijah Wood e Charlie Hunnan, ganhou notoriedade ao retratar a relação dos torcedores ingleses do West Ham United, mostrando a cultura de arquibancada e, é claro, as vestimentas não poderiam ser outras: os símbolos da cultura Terrace, como a Stone Island estavam presentes no filme.
Collabs com Supreme, Nike e New Balance recentemente fizeram a marca ser ainda mais desejada fora da Europa - o mercado americano tem sido muito receptivo com a Stone Island nos últimos anos. A Supreme foi a catapulta da popularidade global da marca nos Estados Unidos em 2014, marcando um lugar também no streetwear das Américas - não que a Stone Island não tivesse um lugar no fashion, muito pelo contrário, mas colaborar com uma marca jovem, hype e estadunidense deu muito certo.
Em 2026, a Stone Island trouxe uma coleção com a New Balance Football, com chuteiras e vestuário com as duas marcas envolvidas. A gente já falou um pouco sobre essa colab em outro artigo da ISMO, mas o fato da marca estar envolvida em coleções de futebol ainda em 2026 mostra que a Stone Island nunca se opôs a essa identidade forjada pelas arquibancadas, muito pelo contrário, a entendeu, a abraçou e a vestiu ao longo de várias partidas.




Antony, Yamal, De Ridder e Barcola - uma nova geração de ballers usando a marca da bússola