Yung Peachie explora a sua versatilidade em mixtape de estreia

DIÁRIO DE UMA BABYSITTA, lançado pelo Brasil Grime Show, reflete as vivências da artista em batidas que exploram diversos ritmos da música eletrônica underground

Yung Peachie explora a sua versatilidade em mixtape de estreia
Fotos por Diego Padilha

"Tem viado consumindo, travesti compondo, sáficas desenvolvendo beat, não bináries construindo processos criativos, entre muitas outras coisas", conta Yung Peachie, artista emergente no cenário do rap e grime brasileiro que acaba de lançar, na última quinta-feira, 06/08, a sua mixtape de estreia, DIÁRIO DE UMA BABYSITTA, pelo Brasil Grime Show.

"No geral, temos uma cadeia criativa muito forte, só precisamos de alguém que abra caminhos para que as coisas se desenrolem e, mesmo que de forma incômoda, possamos desenvolver nossa arte para trazer questionamento e mostrarmos que existem diferentes tipos de pessoas e corpos ocupando qualquer tipo de lugar ou posição."

O projeto tem o objetivo de apresentar a versatilidade da artista através dos diversos ritmos e situações exploradas nas letras. As seis faixas exploram diversos gêneros da música eletrônica underground, contando com produções versáteis de WARMANDO, Sete, Nael Black, Fesant, BRAZIL BEATS, Leyblack e Taleko, explorando gêneros como o funk, jersey club, vogue beat, drill e grime, que abrem espaço para a lírica afiada de Peachie, refletindo a sua vivência como uma artista LGBTQIAPN+ e não normativo.

Em setembro do ano passado, a artista participou de um episódio no Brasil Grime Show, ao lado de Dornelles e Cesanne, que na época atraiu bastante hate e expôs o preconceito e as limitações de grande parte do público do grime no Brasil. Ainda assim, se mostra confiante na possibilidade de conquistar o seu espaço dentro da cena, mirando um público que carece de representatividade nesse universo.

"Eu costumo dizer que se tem LGBT levando hate e incomodando é porque ele com certeza está trabalhando do jeito certo (risos). Isso é cruel, mas é real. Infelizmente, tudo aquilo que sai do normativo ou do padrão da nossa sociedade, acaba crescendo e ganhando projeção de um lugar totalmente diferente do que se costumaria acontecer – o hate." – Yung Peachie

Com uma trajetória musical que começou na infância, influenciada pela avó e por um ambiente familiar repleto de música, Peachie utiliza a música como forma de expressão pessoal, abordando vivências próprias e trazendo representatividade em cima das batidas eletrônicas.

Com esse lançamento, procura consolidar o seu nome na cena, colocando na pista faixas produzidas ao longo dos últimos anos e pavimentando o caminho para projetos futuros. "Mesmo que tenhamos um público muito específico a atingir, eu espero que esse trabalho seja contemplado por todos que gostam de conhecer novos artistas e realmente consomem arte. Para mim, pessoalmente, é uma nova etapa.

É a concretização de um sonho que vem sendo trabalhado a alguns anos e agora finalmente chegou seu momento de sair. Tudo que posso dizer é que vocês vão ver esse rostinho em muitos lugares. Espero que gostem e curtam o que tenho pra entregar!"

DIÁRIO DE UMA BABYSITTA já está disponível nas plataformas digitais, com capa assinada por Mayra Martins e styling por Hayller


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