Primitive Chaos é o álbum novo do Paura

Depois de 3 anos, Paura lança um disco que traz músicas diretas e um hardcore primitivo

Primitive Chaos é o álbum novo do Paura
Foto: Eduardo Lobinho

Em 2026 o Paura completa 31 anos de banda e lança seu álbum Primitive Chaos, o nono da banda. Escolhendo um caminho de músicas mais diretas e melodias brutais, o disco apresenta 12 músicas em um Paura mais conciso e conectado com referências diversas dentro do hardcore.

Em um papo com a ISMO, Fábio Prandini, vocalista do Paura, comenta sobre as diferenças desse álbum para o anterior, fala sobre o caos primitivo que vivemos hoje e sobre a renovação da cena do hardcore brasileiro.

Capa por Alexandre @crucialxkool

Fala Fabio! Primeiro álbum do Paura desde o Karmic Punishment, de 2023 e depois tiveram alguns singles. Quais as maiores diferenças que o Primitive Chaos traz?

A maior diferença, principalmente em relação ao disco anterior, é de ser essa coisa mais curta, mais crua. As coisas foram acontecendo naturalmente. A gente tem 31 anos de banda, vem tocando há bastante tempo, tem músicas que são legais, mas são muito longas pra tocar em show. Pra galera que está assistindo é legal, mas pra gente às vezes é maçante. 

Nossa ideia era mesmo fazer um bagulho mais direto, mas foi saindo de forma natural, as músicas já pediam seu início, meio e fim. O Bira ou o Rogério chegam com os riffs e a gente foi picotando, transformando às vezes uma música em três. O Thiago produziu, tocou o baixo, o Ramon chegou agora também, eles tem uma referência mais fresca das coisas, então isso ajuda também. Esse frescor ajudou pra caralho, então dá pra ouvir as referências no álbum, tanto de bandas que lançaram discos há 40 anos ou as que lançaram demo há 2 meses.

Primitive Chaos parece tratar do caos atual do mundo mas com melodias mais "cruas", acho que até por isso o nome casa tanto com o álbum. Qual a temática por trás desse lançamento, existe algum ponto em comum entre as músicas?

No período de composição, a gente brincava com essa coisa do “primitive”, qualquer coisa era primitive (risos). Então o nome do disco foi essa mistura junto do caos que a gente já vive na sociedade, as leis do universo são regidas pelo caos - a gente quis dar esse sentido do caos primitivo, estamos com tecnologia avançada e vagabundo tá saindo na mão na rua por qualquer coisa, guerra nuclear… 

O contexto é único, mas cada música tem sua própria história, não tem necessariamente uma relação entre elas. Uma letra fala de guerra, outra sobre feminicídio, outra sobre xenofobia… Tudo nesse caos primitivo. 

O clipe do primeiro single, Sarcastic Sadistic

31 anos de Paura e hoje o hardcore está em alta de novo, novas bandas, festivais existindo, bandas gringas e brasileiras voltando com shows... Como é isso pra vocês, principalmente pensando que o Paura sempre esteve fazendo som pesado e existindo durante altos e baixos dos gêneros que faz parte? 

A gente está em um momento legal pra caralho. 31 anos de rolê, já vimos muita coisa. A gente sempre entendeu que a coisa é cíclica, ter o pé no chão, não entrar de cabeça quando o momento é bom e nem entrar na depressão quando o momento é ruim. É ter a cabeça nas nuvens, mas o pé sempre no chão. 

Depois da pandemia a coisa deu uma aquecida boa, todo mundo foi buscar informação, acabou trazendo uma molecada nova no rolê. Durante muito tempo eram bandas novas mas de gente velha do rolê. Hoje tem uma porrada de banda nova com molecada chegando agora e chegando bem! Eu acho que está bem foda, um momento bom pra caralho, estamos felizes com essa rejuvenescida da parada.

31 anos de banda, se olhar pra trás, a gente já fez muita coisa, não temos muita expectativa ou projetos para chegar em algum outro lugar, fazer mais sucesso… Hoje pra nós, o que vier, veio, quem colar no show a gente vai achar legal pra caralho! Legal pra gente hoje é tocar onde a gente nunca tocou, sabe? 

O mais importante é o coletivo. Ainda bem que essa renovação está vindo forte, não temos mais o risco do underground enfraquecer e acabar.  Isso dá esperança de que vai durar pra sempre! 

Ainda pensando que a banda existe há 3 décadas, hoje também existe uma diferença no modo como as pessoas ouvem música, principalmente por causa das redes sociais. Me fala um pouco sobre a importância de ter um álbum full pro Paura em 2026. 

Mó cota, a gente já passou por muita coisa, um monte de tendências e a gente absorve o que achamos interessante. A gente pode admirar, não precisa entrar em choque ou conflito do que não curte, mas a gente tem a cabeça de velho mesmo, não tem jeito. Tem que ter material físico, full lenght, até é legal soltar single, mas legal mesmo é lançar em CD, vinil, cassete…

Muita gente pergunta até hoje “vocês não tem nenhuma música em português”. Mano, a banda foi formada em 1995, não tinha nenhuma música em português, nunca sentimos a necessidade de mudar, seja nesse sentido, ou de nunca mais lançar nada físico. O disco full ainda faz sentido pra caralho pra gente. 

Lançar coisas online é muito legal, fazer splits, soltar EPs, tudo tem seu valor. Mas pra gente o full é muito importante ainda, ter um disco inteiro com 8, 10 músicas, ainda faz sentido pra caralho! 

Ouça Primitive Chaos na íntegra aqui


ISMO
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