O rap também se lê

No Clube de Leitura do Rap, Nerie Bento coloca a palavra no centro para discutir literatura, política e produção de pensamento

O rap também se lê
Nerie Bento e Parteum, na última edição do Clube de Leitura do Rap. Foto: @casinhasfilmes

Num momento em que boa parte da música chega até nós espremida entre playlists, recomendações do algoritmo, vídeos curtos e uma sequência quase infinita de lançamentos, o Clube de Leitura do Rap propõe um movimento na direção contrária. Escolhe um artista, imprime algumas de suas letras em folhas de papel e passa horas olhando para aquilo que está escrito. Sem beat, flow ou performance para conduzir a escuta, a palavra volta para o primeiro plano.

O formato nasceu de uma prática muito anterior ao próprio clube. Ouvir um disco e depois sentar para discutir suas letras sempre fez parte da experiência de quem cresceu dentro da cultura hip hop. Nerie Bento fazia isso com os amigos Marco Aurélio, o Marcola, e Viny Rodrigues muito antes deles se juntarem para transformar essas conversas em um projeto. Mas existe também uma lembrança ainda mais antiga por trás da ideia: na adolescência, seu tio colocava discos para tocar, entregava a ela uma folha de almaço e pedia que escrevesse o que havia entendido de cada música.

Anos depois, trabalhando no Centro Cultural São Paulo e acompanhando de perto um clube de leitura tradicional conduzido pela poeta Lubi Prates, as duas experiências acabaram se encontrando. Se ela havia aprendido a ler Chico Buarque daquela maneira, por que não fazer o mesmo com o rap?

Desde então, o Clube de Leitura do Rap tem reunido artistas e público em torno de um exercício aparentemente simples, mas cada vez menos comum: ler devagar. Nomes como Don L, Ogi, niLL, Stephanie, Amiri e Parteum já tiveram suas composições colocadas no centro da roda, em encontros nos quais interpretações, referências e escolhas de linguagem são discutidas diretamente com quem escreveu aquelas palavras.

Nerie, Marcola e Viny recebem o rapper Amiri. Foto: @casinhasfilmes

É a partir desse gesto que a conversa se amplia. Falar sobre a letra significa também falar sobre a maneira como consumimos música, sobre as transformações do rap brasileiro e sobre sua relação com literatura, mercado e política. Na conversa a seguir, Nerie fala sobre tudo isso e sobre a capacidade que o rap ainda tem de ensinar alguém não apenas a ler o mundo, mas, como ela própria define, “a se ler enquanto sujeito”.


Como nasceu o Clube de Leitura do Rap? Qual foi a inquietação que fez vocês perceberem que era um projeto que precisava existir?

O clube nasceu de algo que, na verdade, a gente já fazia e que não é novo. O hip hop, desde que é hip hop, sobretudo no rap, tem essa coisa das pessoas sentarem para ouvir as músicas e discutir. Acho que nos anos 1990 e 2000 isso fazia parte da cultura talvez muito mais do que hoje. Eu, o Marcola e o Viny somos amigos e também fazíamos isso pontualmente, no bar: “Putz, vocês ouviram tal disco?”. E aí ficávamos conversando.

Mas acho que o formato mesmo começa a existir quando eu trabalhava no Centro Cultural São Paulo. Eu era supervisora de comunicação e tinha um clube de leitura lá, no formato tradicional, da Lubi Prates, de que eu gostava muito. Nesse período, meu tio me visitou e eu tenho uma memória com ele que sempre falo que é a base do Clube de Leitura. Quando eu tinha ali 12, 14 anos, ele já era uma grande referência política para mim. Ele me fazia ouvir vinil, me dava uma folha de almaço e pedia para eu escrever o que tinha entendido daquela música. Eu escrevi sobre várias, mas lembro que a primeira foi “Geni”, do Chico Buarque.

Naquela época, eu não consegui interpretar quem de fato era a personagem Geni. E, nessa discussão com meu tio sobre a letra, ficava pensando: “Será que é isso mesmo? Será que meu tio está certo? Será que o Chico Buarque não tinha outra intenção?”. Essa memória veio junto e eu pensei: “Putz, seria muito foda a gente ter um clube de leitura para discutir o rap, as letras”, porque as letras, para mim, sempre foram literatura. Aí criei o formato e fui chamar meus amigos, que já faziam isso comigo. As cinco primeiras edições fiz como funcionária do Centro Cultural São Paulo, lá dentro do CCSP.

Don L no centro do palco na 1ª edição do Clube de Leitura do Rap no CCSP. Foto: @oiarturcunha

A dinâmica do clube é bem particular. Vocês escolhem o artista e depois duas letras, e a conversa gira muito em torno delas. Como acontece essa curadoria? O que faz vocês pensarem: “Essa letra precisa ser lida, precisa ser discutida”?

Eu falo que o clube, antes de ser um clube de leitura, é um clube meu, do Marcola e do Viny. É um lugar onde a gente leva artistas de quem gosta e sobre os quais quer conversar. Mas tem uma coisa primordial na escolha: o artista precisa ter uma obra, uma produção intelectual orgânica sobre a qual a gente consiga se debruçar. Tem artistas supernotórios, mas, quando vamos olhar a obra, não dá para ficar falando só de discurso neoliberal, ostentação. O Viny é antropólogo, o Marcola é pesquisador, eu sou pesquisadora e existe uma questão política por trás da nossa curadoria.

Então precisa ser uma discografia que dê para sentar, destrinchar, conversar e um artista que consiga trocar com a gente. Em relação às letras, nós três fazemos um trabalho profundo de pesquisa. Tem que ouvir toda a obra e, se já ouviu, revisitar. A gente tenta entender quais letras dão um bom papo e ativam perguntas legais não só para nós, mas para o público.

E tem também uma curiosidade muito particular. O Parteum, por exemplo, tem um tipo de escrita muito complexa. Como fãs, a gente realmente queria entender algumas coisas. Acho que muitas vezes você passa por uma letra achando que sabe o que ela significa, mas, na verdade, não sabe. E também é isso: cada letra atravessa cada um de um jeito.

Quando você tira de um rap o beat, o flow e a performance, começam a aparecer outras coisas que talvez passem despercebidas quando estamos ouvindo a música. O que aparece quando vocês isolam a palavra?

Quando a gente vai selecionar as músicas, temos nossas reuniões de pauta. Sentamos, lemos a letra e fazemos essa leitura muito no lugar da literatura mesmo. Para mim faz sentido tirar todo o ecossistema que existe em volta da escrita, porque a gente se desapega até dos compassos da letra.

Tem trechos do Parteum, por exemplo, em que não vamos pegar necessariamente a rima. Às vezes juntamos um trecho de cima com outro de baixo ou isolamos uma passagem. Isso nos obriga a prestar atenção na composição, na escrita, no pensamento que o artista colocou ali.

Eu sou do elemento conhecimento dentro do hip hop. Não canto, não discoteco, não danço. Então a produção e a discussão do pensamento, para mim, são fundamentais. Acho que a letra do rap é basicamente esse discurso quando a gente tira todo o resto. É o posicionamento. Quando você se atém à letra, mergulha na cabeça do artista para entender o que ele está pensando e sobre o que está pensando.

E às vezes a gente se surpreende. O Ogi, por exemplo. Praticamente a discografia dele gira em torno dos motoboys e a gente achava que ele tinha sido motoboy. Ele falou: “Não, nunca fui motoboy. Esse universo é dos meus amigos”. A gente ficou: “Caramba, como você escreveu ‘Profissão Perigo’?”. Ele consegue dar uma visão total daquele cenário sem nunca ter sido motoboy. Lógico que você não precisa ser seu personagem principal, ainda mais o Ogi, que é cronista, mas essas coisas sempre surpreendem.

A palavra sempre teve um lugar central no rap. Você sente que a maneira como prestamos atenção nas letras foi mudando à medida que o gênero se tornou muito popular, parte da cultura de massa?

Eu sinto e não sei se sinto, porque vivo muito o underground e parece que vivo em dois mundos. No underground não acho que mudou tanto. Meu marido é rapper, eu convivo muito com essa cena e a letra continua tendo um peso grande.

Mas, pensando nesse rap mercado, nesse rap business, mudou, porque mudou também a forma de produzir música. Hoje existe uma linha de produção em que a letra não está sendo tão importante porque a batida precisa viralizar no TikTok, precisa gerar uma dança, uma trend.

Então acho que mudou, sim, quando pensamos nesse mercado, muito por conta dessa engrenagem. Sinto que agora essa vontade de fazer discos está voltando, porque durante um período recente era single atrás de single por causa do algoritmo e da própria indústria. Isso vai vulnerabilizando a letra, para não dizer, em alguns casos, mediocrizando a letra.

A maneira como consumimos música hoje também é muito acelerada: playlists, algoritmo, música tocando enquanto fazemos outras coisas, trechos de segundos usados nas redes sociais. O clube parece fazer quase o contrário disso. Você enxerga o projeto também como um exercício de reaprender a prestar atenção?

Total. Acho que é um dos códigos que quem vive o hip hop há muito tempo tenta manter. É quase uma bandeira nossa. A gente é cria de Racionais, então a letra ainda pega muito para nós.

A gente acredita que, de uma forma mais ampla, existe uma lacuna para discutir publicamente a letra do rap nacional. Isso não significa que a produção literária dentro do rap deixou de existir. Tem projetos de literatura com rap, tem arte educadores que trabalham com essa linguagem na Fundação Casa. Mas, numa discussão mais ampla, acho que estamos em falta.

E sinto que os artistas também estão em falta. Não é só o público. Em muitos casos, deixaram de tratar a própria letra como um eixo do hip hop, como produção de conhecimento. A letra foi ficando secundária diante do conceito geral do álbum, das músicas, das instrumentais.

Eu não gosto de chamar isso de resgate porque ninguém quer salvar nada, mas acho que o clube é uma forma de olhar novamente para a composição. Quando o Racionais soltava uma obra, as instrumentais eram maravilhosas, mas o que ficava em discussão na quebrada eram as letras. Agora temos a oportunidade de sentar com o artista e discutir isso junto. Não é só como a gente consome essas letras, mas como consome em conjunto, público e artista.

Marcola, Nerie, Parteum e Viny na última edição do Clube. Foto: @casinhasfilmes

Teve alguma letra que você já conhecia e que, quando vocês se debruçaram sobre ela junto com o próprio artista, acabou revelando algo completamente diferente do que imaginava?

Acho que o Parteum. Ele tem uma obra mais difícil de interpretar justamente por ter esse raciocínio quebrado. Mas teve também “Bingo”, do Don L. Quando ouvi, pensei: “Nossa, acho que é sobre a indústria”. E não era. Ele puxa para uma relação política de como se constrói o sistema capitalista. Eu achava que era sobre ser rapper dentro daquela indústria.

Também me surpreendi com o Ogi. Não porque as letras tivessem uma interpretação completamente diferente, mas porque a compreensão dele sobre algumas coisas era outra. Mas o Parteum foi o que mais me fez pensar: “Meu Deus, percebi que eu não tinha entendido nada”. Depois da explicação dele, você entende. Ele falou muito de diáspora, ancestralidade, da relação dele com a família, mas nada disso era óbvio na letra.

Quando vocês desaceleram uma letra e começam a discutir cada verso, questões sociais e políticas que poderiam passar despercebidas numa escuta mais casual começam a aparecer com mais força?

Total. Acho que isso vai acontecer muito agora com o Hariel. Diferente do Parteum, em que você consegue se debruçar sobre um trecho inteiro, o Hariel às vezes coloca uma questão política em uma única frase, dentro de uma linguagem muito urbana, muito de rua, com as gírias do funk. Se você não se aprofunda, talvez nem perceba.

Mc Hariel é o próximo convidado do Clube em edição especial Funk, 15/09 no SESC Vila Mariana

Às vezes a gente mesmo lê e pensa: “Acho que não vai dar nada aqui”. Quando olha direito, percebe que aquilo puxa uma discussão importante. As obras também são completamente diferentes. O Xis tem rimas mais abertas, o Don trabalha muito com metáfora, o Ogi escreve quase como crônica, o Parteum tem essa escrita quebrada.

Tem rima que você lê e pensa que o cara só está falando que comprou um carro ou uma Hornet, mas aquilo pode estar falando de consumo, de poder de compra da periferia. Acho que o clube faz isso: coloca uma lupa sobre a letra.

Existe hoje, especialmente nas discussões nas redes sociais, uma tentativa de separar rap de política. Mas o rap brasileiro sempre foi atravessado por raça, classe, território, violência policial, desigualdade e resistência. É possível separar o rap da política sem apagar uma parte importante da história dessa cultura?

Não é possível. Existe um histórico que dá conta da construção do nosso hip hop e do nosso rap. O King Nino Brown sempre fala disso e gosto muito de citá-lo.

O hip hop no Brasil se consolidou de forma totalmente diferente dos Estados Unidos. O nosso hip hop se consolida politicamente desde o embrião. Foi na São Bento que aquela geração chegou até o Geledés, uma organização do movimento negro, para pedir auxílio, e ali aconteceu parte da formação política dessas pessoas. Sharylaine, Racionais, Thaíde, Xis, Nelson Triunfo, toda aquela galera se forma num hip hop que nasce em diálogo muito direto com o movimento negro.

Então a nossa história não é apenas política. Ela é uma história de formação política socialista. Partidária, naquele momento, não era. Mas socialista, sim. Isso é a nossa história. Não basta dizer que o rap retrata as mazelas do Brasil e denuncia o sistema, porque outras culturas também fazem isso. O nosso histórico passa pela formação dentro do movimento negro. Acho importante fazer essa diferenciação.

Hoje vemos rappers e fãs de rap se identificando com posições mais conservadoras, mais de direita. Como você enxerga essa contradição?

Acho que o hip hop, assim como vários outros movimentos, não está dando conta do projeto de despolitização que o Brasil está vivendo. O fato de termos pessoas que conhecem e ouvem Racionais, ouvem GOG, e ainda assim têm posicionamentos de direita não significa, para mim, que o hip hop falhou. Existe um projeto muito maior de despolitização que chegou às massas, e o hip hop é massa.

Agora, também acho que houve uma diminuição dos discursos e dos posicionamentos dos artistas, porque eles formam opinião dentro da nossa cultura. Durante muito tempo, nossas lideranças tinham posições muito claras, e isso ajudou a formar uma geração muito mais à esquerda do que à direita. Não sei se negligência é a palavra, mas hoje há um esvaziamento.

A responsabilidade é uma engrenagem. O público precisa pesquisar, consumir e entender sua própria história. Os agentes do hip hop precisam continuar o trabalho de formação na base. E os artistas mais notórios também precisam se posicionar de forma contundente. O hip hop sozinho não vai dar conta desse processo de despolitização, mas precisa fazer a sua parte. Se fizer, pelo menos consegue reduzir o dano.

Quando você transforma aquela conversa entre três amigos sobre letras de rap em uma roda e abre para o público participar, o que essa leitura coletiva revela que talvez uma leitura individual não revelasse?

Primeiro, revela que o público continua interessado em saber o que essas letras significam e em discutir isso coletivamente. Talvez as pessoas façam isso entre amigos, mas nem sempre têm um espaço onde possam se reunir para ler uma letra dessa maneira.

A gente imprime as letras, isso é uma premissa do formato. No começo, quando abríamos para perguntas, apareciam questões aleatórias, que nem sempre tinham relação com o que estávamos discutindo. Conforme as edições avançaram, percebemos o público cada vez mais atento à própria letra.

Rimas impressas e canetas para anotações. Foto: @casinhasfilmes

Trechos que nós não destacávamos eram apontados pelo público, e surgiam perguntas que talvez nem tivéssemos feito durante a nossa pesquisa. Isso mostra como cada pessoa tem um olhar muito particular sobre a obra. Quase nunca recebemos perguntas repetidas. Então existe um público curioso, com vontade de ter um espaço para discutir composição, interpretação e processo criativo.

Se o rap ensinou tanta gente a ler o mundo antes mesmo de abrir um livro, o que você acha que ele ainda pode ensinar as pessoas a lerem?

Acho que o rap pode ensinar as pessoas a se lerem enquanto sujeitos, Tiago. Porque o rap talvez seja… Talvez não. Ele é a literatura menos elitista que nós temos. Ele não te pede um diploma, não pede que você tenha um networking importante, não pede que você venha com conhecimento prévio. Ele pede que você pare, avalie, pense e se construa como sujeito.

Tem uma entrevista em que o Brown fala que escreveu os raps dele antes de ler Malcolm X. Eu e meu marido até brincamos que o Brown é meio aqueles caras em que um espírito baixa nele e ele escreve, porque você pensa: “Como escreveu aquela letra?”. A gente brinca, mas sabe que também existe um certo preconceito em imaginar que uma pessoa negra da periferia não poderia ter aquela capacidade lírica.

Então acho que é isso. O rap consegue fazer com que a gente se entenda enquanto sujeito. O rap, e acho que o hip hop como um todo, foi o projeto de Brasil que mais interrompeu o genocídio da população negra. Se a gente olhar para pessoas que poderiam estar mortas ou encarceradas, temos nossos próprios exemplos. O próprio Dexter. O próprio Sabotage, que, mesmo falecido, conseguiu se desvincular do crime antes da morte. O funk hoje também faz muito disso, de certa forma, mas o rap teve um papel enorme nesse processo.

O rap faz a gente se pensar como sujeito no mundo e, principalmente, como sujeito no Brasil. E faz isso sem exigir que você já tenha lido livros sobre aquilo. Ao mesmo tempo, ele provoca você a pesquisar. Nos anos 2000, você não conseguia falar que conhecia Nas sem alguém perguntar qual era a última faixa, o que ele tinha dito em determinada entrevista. O rap fazia você ir atrás, fazer seu corre, para entender em que mundo estava e quais discussões estavam acontecendo no seu tempo.

Para fechar: se o rap também é literatura e poesia, quem são os imortais do rap brasileiro? Quais rappers mereciam uma cadeira na Academia Brasileira de Letras?

Nossa, tem uma lista. Acho que Racionais, obviamente. GOG, certeza absoluta. Xis, com certeza absoluta. Dina Di, com certeza absoluta.

Eu queria dizer a Sharylaine, mas infelizmente tem uma questão de ela não ter conseguido nem fazer o próprio disco ainda. Lady Rap, que, para nós, mulheres do hip hop, talvez seja uma das figuras mais importantes da história, porque foi ela que criou o Femini Rap dentro do projeto Rappers [do Geledés]. E a discografia dela é muito importante porque foi ela que colocou a gente no hip hop como mulheres feministas. Nossa, Black Alien, com certeza absoluta. É muita gente.

Mas vou lançar cinco: Racionais, GOG, Black Alien, Dina Di e Lady Rap. Com certeza estou em falta com muita gente.

Vida longa ao Clube de Leitura do Rap. Foto: @casinhasfilmes

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