Copa, eleições e a camisa brasileira da Pornograffiti
Estúdio criativo lança versão da amarelinha conectando futebol, política e música eletrônica
Estamos em ano de copa e eleições, dois universos que, pra quem vive a cultura popular, estão conectados, mas que nos últimos anos ganharam outras proporções, principalmente depois que a nova direita cooptou a camisa da seleção brasileira como símbolo para si. A treta recentemente ganhou destaque com as versões oficiais, depois do rumor de uma possível versão vermelha, que foi vetada pela CBF. Com isso em mente a Pornograffiti, estúdio e laboratório criativo de Londrina, PR, decidiu ressignificar nossa amada amarelinha com o drop Nação Abacaxxxi, collab que resgata a clássica camisa de 1994 e a transforma a partir da estética da cultura clubber.
A marca, que já é conhecida pelos projetos de humor ácido e fortemente posicionados, aproveitou o momento para conectar o mundo das pistas e dos campos, tendo a bala (ecstasy) abacaxi como elemento central. A droga, em formato de fruta, viveu o auge na retomada das ruas após a pandemia e virou símbolo desse novo momento de liberdade. Na coleção ela aparece substituindo os escudos triplicados da CBF, famosos pela campanha do tetra mundial, além de aparecer também em outros itens como um cinzeiro produzido em latão, um brinco e um chaveiro.






Para a campanha, o projeto convidou o Romário Sósia, para representar o ícone da conquista do tetra e figura pra lá de controversa, agora em versão comunista. Nas costas, o 11 do baixinho foi substituído pelo número 34, em referência ao nome químico do MDMA: 3,4metilenodioximetanfetamina, tudo isso apresentado na estética de boteco, ambiente que também respira futebol, política e, por que não, festa.
Todo o projeto foi assinado por um time que reuniu Caio D’Andréa, fundador e diretor criativo da Pornograffiti além de figura apaixonada pela cena underground brasileira; Uno Vulpo, médico, designer e criador da plataforma Senta, que atua como divulgador científico para o debate sobre sexo e drogas, sem julgamento moral; e GGL, ou Gustavo Lara, designer industrial que assumiu a concepção e produção das peças em metal.
A copa de 2026 une dois grupos distintos: aquele que viveu a de 1994, e ficou 24 anos sem conquistar um título mundial, e a nova geração, que viveu o penta e passa pelo mesmo jejum. Para quem não concorda com o momento que a camisa da seleção vive, mas não quer deixar de torcer, a versão da Pornograffiti parece uma boa opção.