A Feira do Livro é mais do que um mercado a céu aberto
Quinta edição do evento que busca conectar Brasil com América Latina e mundo através da literatura e todo o seu ecossistema
De hoje, 30 de maio, até 7 de junho, a Praça Charles Miller, aquela em frente ao estádio do Pacaembu, será mais um dos pólos culturais de São Paulo com a quinta edição da Feira do Livro. O festival literário funciona, claro, como um enorme mercado a céu aberto, mas também oferece uma porrada de atividades gratuitas, distribuídas entre o Palco da Praça, o Auditório do Museu do Futebol, os Tablados Literários e o Espaço Rebentos, dedicado aos pequenos leitores. São 103 autores confirmados e mais de 160 expositores, fazendo do evento um espaço de experiências, debate e leitura.
Nesta edição, as pontes entre Brasil e países vizinhos evidenciam uma inclinação para discussões interessantes em toda a América Latina. Entre os nomes confirmados, estão vários de peso na literatura contemporânea internacional, como a colombiana Pilar Quintana e a escritora chilena do povo mapuche Daniela Catrileo, que não estarão sozinhas. A ideia é que suas vozes se encontrem com outras, brasileiras, como Jeferson Tenório, Carla Madeira e o pensador indígena Daniel Munduruku. Uma curadoria que coloca a literatura como ponto central na organização das artes e, por sua vez, como conectores entre gerações.
Para nós aqui da ISMO, que gostamos de olhar para a cultura em diferentes contextos, a programação chama atenção pelos momentos que passam os limites da ficção. A música, por exemplo. Todas as vivências que as pistas promovem serão temas da mesa Retratos da Noite Paulista, que reunirá Gaía Passarelli, autora do livro recém lançado Deslumbre (Terreno Estranho, 2025) e Camilo Rocha, que em 2024 lançou Bate Estaca (Veneta). Dois nomes conhecidos e conhecedores da cultura clubber e de DJs, prometem resgatar histórias sobre a pavimentação da cena. Já Luiz Cesar Pimentel promoverá um debate sobre como as plataformas de streaming e as big techs vêm transformando nossa forma de consumir e nos relacionar com a música.

O ecossistema literário brasileiro é fundamentado nos autores, claro, mas a Feira também quer jogar luz em outras engrenagens que ajudam a cultura continuar girando, como o jornalismo independente. O Pacaembu vai receber redações e bancadas de podcasts, que sairão de suas salas para levar o debate ao público e ao vivo. Entre os mais conhecidos, estão a 451 Mhz e o Foro de Teresina. Nessa troca também surge o circuito independente de distribuição dos livros, por meio de iniciativas como a do Mapa das Livrarias de Rua, que deu visibilidade para uma série de livreiros que resistem pela capital paulista, em um trampo de guerrilha.
Durante uma semana, a Feira do Livro será um espaço para desacelerar, conhecer e ouvir o que alguns dos principais articuladores e narradores da atualidade têm a dizer. Além disso, sempre tem espaço para garimpar novos livros, começar ou aumentar a biblioteca de casa, participar de discussões sobre arte, política e cultura. Aliás, cultura se faz a partir do encontro, então nada mais irrecusável do que um convite para esse espaço.
Veja a programação completa no site d'A Feira do Livro.
Serviço:
Feira do Livro
Local: Praça Charles Miller
Data: 30 de maio a 7 de junho
Horário: programação ao longo dos dias
Entrada: gratuita