"Assim bordei meus sonhos" conta histórias entre pontos e agulhas

Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo, também conhecida como a mãe d'OSGEMEOS abre exposição no Museu da Imigração, em São Paulo

"Assim bordei meus sonhos" conta histórias entre pontos e agulhas
Foto: OSGEMEOS

Aos 83 anos, dona Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo estreia sua primeira exposição individual no Brasil. Antes disso, ela bordou por décadas sem que isso fosse necessariamente carreira. Era na verdade hábito de casa, herança de família, coisa que se faz enquanto se pensa em outra coisa. "Assim bordei meus sonhos", em cartaz no Museu da Imigração até 6 de outubro, reúne cerca de 300 peças entre fotografias, documentos e trabalhos têxteis, e tem um detalhe que deixa tudo mais interessante: a curadoria é assinada pelos próprios filhos, Otávio e Gustavo Pandolfo, OSGEMEOS.

Nessa exposição o trabalho da dupla inverte a lógica a qual estão acostumados, de assinar murais gigantes. Aqui eles trabalham em uma escala menor e mais íntima, catalogando os trabalhos da mãe e ajudando a contar uma história que foi construída com pontos e linhas.

Margarida nasceu em São Paulo, filha de imigrantes lituanos. Cresceu vendo a avó fazer tapeçarias, a mãe costurar e o tio pintar. Casou, foi morar no Alto da Mooca, criou os filhos... Nesse meio tempo o bordado ficou guardado por anos, até que ela passou dos 60 e voltou a pegar a agulha, incentivada pelas crias que ganhavam o mundo assinando muros.

Para quem visitar, vale a pena prestar atenção nas trocas de influência, de Margarida nos primeiros riscos de OSGEMEOS, e d'OSGEMEOS dentro do universo estético dela. Por lá é possível ver algumas peças feitas em parceria, as linguagens do bordado e do spray, que existiram na mesma casa e agora dividem o mesmo espaço do museu. 

A herança também existe para além da história da família, já que a exposição é parte da programação do centenário da imigração lituana no Brasil. Margarida fala "voltava no tempo" enquanto bordava, e a exposição usa essa ideia como ponto para conectar com a imigração.

Depois de participações coletivas nos Estados Unidos e na própria Lituânia, esta é a primeira vez que o nome de Margarida Pandolfo aparece sozinho numa parede de museu no Brasil. A exposição é uma oportunidade única de conhecer a história de Margarida, claro, mas também de um pequeno recorte da formação artística de uma das principais duplas de arte urbana do mundo.

Serviço:

Museu da Imigração
Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP
De terça a sábado, das 9h às 17h; e aos domingos, das 10h às 17h


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