A Umbro tem abraçado o mercado fashion - e tem ficado bem legal

Como a marca mais futebol da Inglaterra tem se aproximado cada vez mais do universo fashion e tem criado conexões com marcas que talvez nunca tenham chutado uma bola

A Umbro tem abraçado o mercado fashion - e tem ficado bem legal
Umbro x Slam Jam

Um dia fizeram um sapato social de uma chuteira da Umbro e a parada viralizou. Era o Vinnie da Sneakers Pharm transformando a Umbro Football Elite SG, de 1997, em um sapato com sola tratorada e língua, reimaginando o lugar da chuteira que antes tinha seu palco nos gramados para chuteiras de cravo. 

O Vinnie não foi o único que fez essa transição de uso para produtos da marca - A Offside Outlet, através do Elliot Luxford, botou saltos altos nas chuteiras Geometra, de 2011. A LC23, da Italia, colocou flores de crochê em uma Speciali. A Slam Jam botou na passarela. 

Egor Wear, Slow Projects e outra marcas fizeram parte das colaborações que a marca teve em um passado recente. Em 2023, a Supreme também colaborou. Em 2022, foi a Palace e a YMC London. Por que eu estou trazendo tudo isso? Porque isso marca um caminho bem voltado para a moda que a marca tem tomado no presente.  

A relação da marca com o futebol é gigantesca 

A Umbro foi fundada em 1924 por dois irmãos em Wilmslow, Inglaterra. A família Humphrey, famosa por seus logos de diamante, começou fazendo shorts para futebol e logo foram pras camisas, que viriam ficar famosas por seu conforto e pela sua elegância - os próprios times da Inglaterra dos anos 30 viam na marca uma referência de estilo dentro de campo. Em 1934, o Manchester City ganhou a FA Cup usando kits da Umbro. 

A marca viria se tornar mundialmente famosa e parceira de grandes momentos do esporte. Em 1958, Pelé com 17 anos de idade, junto da seleção brasileira, ganhara o mundial trajado de kits do Brasil feitos pela Umbro. Em 1962, mais um título para o Brasil em uniformes Umbro. Em 1966, a Inglaterra ganhava o mundial com uma camisa icônica: o kit vermelho da Umbro que viria se tornar tradição posteriormente foi usado porque os rivais da final, Alemanha, usavam kits brancos. 

Esse kit imaculado é da Umbro

A marca foi acompanhando grandes momentos do futebol, sendo a vestimenta de conquistas icônicas ao longo das décadas. Antes mesmo de se tornar referência nas chuteiras, a Umbro já era uma gigantesca marca de futebol no mundo todo. A primeira chuteira foi feita em 1985 e foi pensada no mercado de futebol do Brasil - só dois anos depois foi pensada para vestir o mundo todo em uma fabricação global. 

Um caminho até collabs fora do esporte 

Nos anos 2000, a Umbro foi vendo sua relevância sendo cada vez menor, com marcas concorrentes tipo Nike e adidas tomando conta do universo futebolístico com campanhas de marketing arrebatadoras, como a Joga Bonito e José +10. Enquanto as duas foram ganhando o mundo com chuteiras coloridas e ícones do esporte patrocinados, a Umbro foi se fechando no mercado inglês e, até mesmo nesse, perdeu espaço para as concorrentes. Em 2007 foi vendida pra Nike e depois, em 2012, a Nike vendeu para Iconix Brand Group. Nesse bolo todo, até a seleção inglesa, que era patrocinada pela Umbro, foi para a Nike e nunca mais saiu.

A Umbro enfrentou momentos esquisitos nos anos 2000, continuou sendo patrocinadora de times menores na Inglaterra e em outras partes do mundo, teve (e tem até hoje) um ótimo relacionamento com o rugby Inglês, e teve de achar um caminho alternativo para o que viria a seguir em sua caminhada - era hora de olhar para o que estava acontecendo nas redes sociais.  Na Copa do Mundo de 2026, a maior da história com 48 times, a Umbro é fornecedora de material esportivo só para uma seleção, a do Congo. 

Na alta de popularidade do futebol, com trends fashion como o jersey culture, brazil core e bloke core, aliada à nostalgia que essas tendências traziam, as marcas que faziam kits de futebol icônicos ganharam muito com isso - a Umbro sendo uma das maiores delas. A galera passou a usar camisas de futebol fora do contexto de jogo e torcida, aliando kits fashion com camisas icônicas usadas no passado - quanto mais vintage melhor. A Umbro entendeu isso e viu toda essa tendência ser benéfica pra marca, não só vendendo camisas antigas da Inglaterra, mas também tendo olhares diferentes sobre sua perspectiva esportiva: era hora de fazer collabs fora do futebol. 

Com tudo isso, a gente volta pro começo do artigo e começa a ver a ressignificação de itens esportivos, sendo colocados em outros contextos e, principalmente, sendo trazidos para um lugar fashion e até social. Chuteiras que viraram sapatos, collabs com marcas que nunca pisaram num gramado e jaquetas que, não necessariamente, eram full tracks de jogo começaram a ser um lugar comum na Umbro - e é aí que eles acertaram em cheio. 

Collabs mais recentes e o pé cada vez mais no look social 

Em colaborações mais recentes, o high fashion e o social tomam conta. A Air Throup Studio é a collab mais recente da marca e os primeiros visuais não tem nada de futebol. Outra recente, com a Slam Jam, também visualiza caminhos bem menos esportivos que suas collabs anteriores. A Mertra também. Até a Crocs entrou na dança das colaborações e, bem, não necessariamente é feita pra jogo - mas tem uma língua de chuteira. 

Um primeiro look na collab com a Air Throup

Todas essas collabs tem uma coisa em comum: flertam com mundos diferentes dos campos de grama. São olhares diferentes para kits antes esportivos e que agora moram em outras passarelas. 

Aqui no Brasil, apesar da marca ser bastante voltada para o conforto e tecnologia dentro de quadras e campos, as collabs são diversas também: Carnan é a collab mais recente e mostra um olhar um pouco mais refinado, apesar da marca conversar com o streetwear brasileiro, é com certeza um outro tipo de abordagem - uma mais “fina e elegante". Até mesmo no país do futebol e futsal, a Umbro tem olhado para um lugar de pertencimento em outros universos. 

Tudo bem, a Umbro nunca vai deixar o esporte de lado e as marcas também enxergam isso. Vez ou outra, o futebol aparece e tá tudo bem, é o lugar de domínio da marca. Mas é notória a vontade da Umbro de pertencer a outros universos e a marca vem fazendo isso com muito bom gosto. 


ISMO
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