5 grandes momentos da Rihanna na PUMA
De diretora criativa ao retorno do Avanti, a Fenty x PUMA construiu uma das parcerias mais marcantes entre música, moda e cultura sneaker. Mas será que ela chegou ao fim?
Rihanna apareceu usando a colaboração da Nike com a Jacquemus sobre o Moon Shoe e, pronto, já tem fofoca rolando. Especula-se que ela teria encerrado sua parceria de 12 anos com a PUMA. Mas calma. Até aqui, a gente não tem um comunicado oficial dizendo isso. Então vamos tratar como o que é: um rumor.
Porque, confirmando ou não, o boato abre uma boa janela para olhar para trás. A relação de Rihanna com a Puma começou lá em 2014, quando ela foi anunciada como embaixadora global de Women’s Training e diretora criativa da categoria feminina da marca. Esse foi o ponto de partida oficial. Mas, ao longo da parceria, a Fenty x PUMA ficou maior do que esse recorte inicial: virou uma linha com calçados, roupas, passarela, peças masculinas, infantis e uma linguagem própria dentro da marca alemã. Rihanna foi sempre foi muito mais que um rosto na campanha e ajudou a construir linguagem, produto, imagem e desejo.
Então, antes de decretar qualquer fim por causa de um look, vale relembrar cinco grandes momentos da Rihanna na PUMA.

1. Quando Rihanna virou diretora criativa da PUMA
Hoje é até corriqueiro uma artista assinar uma colaboração, dirigir campanha, aparecer no board criativo e vender lifestyle junto com produto. Mas em 2014 isso ainda tinha outro peso. Quando a PUMA colocou Rihanna nesse lugar de direção criativa, partindo da categoria feminina, a marca estava dizendo que cultura pop também move mercado.
E Rihanna entendeu esse lugar como poucas pessoas. Ela nunca entrou na marca alemã tentando parecer atleta, nem tentando traduzir sneaker para uma linguagem técnica demais. Ela entrou com estilo, presença e imagem.
Esse foi o primeiro movimento importante: transformar uma parceria de celebridade em uma parceria de direção estética. Colocar o nome dela numa caixa e na língua de um tênis não bastava. Deixaram Rihanna mexer no imaginário da marca.


A parceria de Rihanna e PUMA começou em 2014
2. Quando Fenty e PUMA lançaram o Creeper
O grande estouro veio com o Fenty x PUMA Creeper, lançado em 2015. Ele pegava a base do PUMA Suede, um clássico da marca, e colocava uma sola plataforma. Parece simples, e hoje a gente vê essa fórmula ser repetida com frequência por aí, mas isso já faz quase dez anos.
O Creeper não tentava competir com o tênis de basquete, nem com o tênis de corrida, nem com aquela ideia mais masculina e técnica do universo sneaker, ele vinha de outro lugar. E funcionou tanto que o Creeper virou um dos modelos mais importantes daquela fase da PUMA, sendo eleito Shoe of the Year pela Footwear News em 2016.
Esse é o momento em que Rihanna deixa de ser só uma celebridade com colab e vira uma força real dentro da cultura sneaker. Porque ela abriu espaço para outro tipo de desejo por meio de um produto.


Fenty x PUMA Creeper
3. Quando colab virou universo nos desfiles Fenty x PUMA
Uma coisa Rihanna sempre entendeu muito bem: produto sozinho não sustenta imaginário. Tênis precisa de contexto, precisa de imagem e precisa de cenário.
As passarelas da Fenty x PUMA fizeram exatamente isso. Entre Nova York e Paris, Rihanna transformou a parceria em universo visual. Não era só “olha o novo drop”. Era “entra nesse mundo aqui”. Tinha styling exagerado, proporção grande, mistura de esporte com clube, escola, rua, praia, pista, backstage... Sem pedir licença para entrar na moda.
E eu acho que esse foi um dos maiores legados dessa fase: Rihanna não tentou fazer o sportswear parecer mais refinado para caber na passarela. Ela levou o caos, a energia e o desejo da cultura jovem para dentro dela.



Diferentes desfiles de Fenty x PUMA ao longo das temporadas de moda
4. Quando os tênis deram espaço para as slides
Se o Creeper foi o grande tênis da parceria, as slides foram outro capítulo importante (e talvez até mais curioso). Rihanna pegou uma sandália esportiva, quase básica, e transformou em objeto de desejo.
A Fur Slide, por exemplo, tinha uma construção simples: uma slide com tira felpuda. Só que, no pé da Rihanna e dentro do universo Fenty x PUMA, deixava de ser “chinelo de pós-treino” e virava styling, virava item disputado.
Depois vieram outras variações, como as Bow Slides e as Jelly Slides, cada uma com sua leitura: mais romântica, mais nostálgica, mais anos 1990. Todas ajudaram a ampliar a Fenty x PUMA para além do tênis e mostraram que a parceria tinha vocabulário próprio e um grande poder de transformar o casual em assinatura.



Bow Slide, Fur Slide e Jelly Slide
5. Quando Rihanna retornou com o Avanti
Depois de alguns anos de pausa, a Fenty x PUMA voltou oficialmente em 2023 com o Avanti.
E aqui tem uma escolha interessante: em vez de tentar repetir o Creeper, Rihanna foi para outro caminho. O Avanti mistura referências da icônica chuteira PUMA King com o solado do Easy Rider. Ou seja, tem futebol, tem arquivo, tem nostalgia e tem uma leitura bem mais atual desse interesse da moda pelo universo dos boleiros.
Também é uma Rihanna em outra fase. Mãe, empresária, bilionária, popstar que já não precisa provar absolutamente nada para ninguém (nem mesmo gravar álbum ou se apresentar, para tristeza dos fãs). Então o retorno não tinha a mesma energia club kid de 2015. E isso também diz muito sobre a força dela como diretora criativa: Rihanna não ficou presa no próprio hit.

Então, sim: Rihanna usando Nike x Jacquemus acende alerta. Ainda mais quando a história dela com a PUMA é tão longa e tão simbólica. Mas, enquanto escrevo esse texto, o fim da parceria ainda é rumor, diferente do impacto que o trabalho causou nos últimos 12 anos.
Rihanna ajudou a PUMA a voltar para o centro da conversa cultural — e deu um empurrão importante na presença das mulheres na indústria sneaker. E talvez por isso um "simples look" ainda renda tanta interpretação.