SPIM nasce para conectar a cena que mantém a música independente viva

Primeira edição do festival ocupa dez casas de São Paulo e reúne mais de vinte artistas de diferentes gerações

SPIM nasce para conectar a cena que mantém a música independente viva

Durante décadas, São Paulo construiu uma das cenas musicais mais vibrantes da América Latina. Bandas surgiram em garagens, selos nasceram em apartamentos, coletivos ocuparam espaços improvisados e centenas de artistas encontraram seu primeiro público em casas que sobreviveram mais por insistência do que por lógica de mercado.

Porém, fazia falta um festival capaz de reunir, sob a mesma bandeira, os espaços, artistas e profissionais responsáveis por manter essa engrenagem funcionando.

É justamente essa lacuna que o SPIM, sigla para São Paulo Independent Music, pretende ocupar.

A ideia do festival nasce da visão de Edimar Filho, nome que há anos circula entre algumas das principais iniciativas da música independente brasileira. Sua trajetória ajuda a explicar o próprio formato da SPIM. Em vez de concentrar tudo em um único espaço, o festival se espalha por casas que já fazem parte do cotidiano da cena, reconhecendo que a música independente não acontece apenas nos grandes eventos, mas principalmente nos lugares que mantêm artistas e públicos conectados durante todo o ano.

Entre os dias 12 e 16 de agosto, a primeira edição do festival ocupa dez espaços fundamentais para a cultura da cidade: Algo Hits, Bar Alto, Casa Natura Musical, Casa Rockambole, Cine Joia, Fenda 315, FFFront, Hangar 110, La Iglesia e Porta. Mais do que uma sequência de shows, a proposta é transformar São Paulo em um circuito vivo, conectando diferentes cenas, públicos e linguagens.

A programação ajuda a traduzir essa proposta para os palcos. O lineup reúne nomes que ajudaram a construir diferentes capítulos da música independente brasileira, como Boogarins, Ludovic, Sugar Kane, Garage Fuzz e Menores Atos, ao lado de uma geração mais recente representada por artistas como Jovens Ateus, Pelados, Budang, Ottopapi e Chococorn and the Sugarcanes. O resultado é um recorte que atravessa décadas de produção independente sem ficar preso a um único gênero ou momento específico.

Mais do que uma reunião de atrações, a seleção de artistas funciona quase como um retrato da própria cena: diversa, descentralizada e em constante transformação. Entre guitarras barulhentas, emo, punk rock, hardcore, shoegaze, psicodelia, indie rock e novas experimentações, a SPIM aposta justamente na convivência entre diferentes linguagens e públicos, algo que sempre esteve no DNA da música independente.

Além da programação musical, o evento também promove uma conferência voltada para artistas e profissionais do setor, reunindo debates sobre os desafios e transformações do mercado independente contemporâneo. A iniciativa aproxima a SPIM de encontros internacionais que entendem a música não apenas como entretenimento, mas como ecossistema cultural, econômico e social.

O surgimento da SPIM acontece em um momento particularmente interessante. Nos últimos anos, São Paulo voltou a ocupar uma posição central na circulação de artistas independentes brasileiros e internacionais. A cidade concentra casas de show, selos, coletivos, produtoras e um público disposto a descobrir novos nomes antes que eles cheguem aos algoritmos ou aos palcos principais dos grandes festivais.

Mais do que criar mais um evento no calendário, a SPIM parece nascer para celebrar algo que já existe: uma rede cultural que mantém a música independente em movimento todos os dias do ano.

Line-up Completo:

12/8

Molho Negro + Swave (Bar Alto)
Ottopapi + Julieta Social (Porta)

13/8
Garage Fuzz + Deb and the Mentals (La Iglesia)
Jonabug + Chão de Taco (Casa Algo Hits)

14/8
Ludovic + Jovens Ateus (Rockambole)
Ana Paia + boasorte (Fenda 315)

15/8
Sugar Kane + Menores Atos (Hangar 110)
Boogarins + Pelados (Casa Natura)
Esse Lado Pra Cima + glover (FFFront)

16/8
Bad Luv + Budang + Metade de Mim + Chococorn and the Sugarcanes (Cine Joia)

Conferência: 15/8 e 16/8, na Casa Rockambole (entrada gratuita)

Ingressos aqui.


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