Qual esporte vai ditar as tendências em 2026?
E qual vai ser a base do fashion baseado em esportes nesse novo ano que se inicia?
Em 2026, o esporte promete ter grande impacto no calendário anual mundial. Com a Copa do Mundo de Futebol anunciada para Estados Unidos, México e Canadá, o esporte da cancha vai ter enorme destaque, mas será que vai ser o suficiente para continuar sendo um dos impulsionadores do esporte no fashion como temos visto nos últimos anos?
Já falamos da influência do futebol no fashion (e vice-versa) aqui na ISMO e, bom, se você é uma pessoa ligada no que está acontecendo no streetwear e no mundo da moda, sabe que esse esporte têm dominado as interações entre os dois mundos, seja na passarela ou nas ruas das grandes cidades.
Mas, aí vem uma opinião pessoal: um dos fatores do porquê essa influência não é ainda maior é o “fazer” da coisa. O que quero dizer com isso? Que apesar de serem muitas as pessoas que aderiram ao futebol-fashion e à moda das camisas dos times dos anos 90 e 2000, jogar bola são outros 500 - e tá tudo bem. Isso corrobora a minha visão de que outros esportes são tão, ou mais fortes, no quesito impacto dentro e fora da performance, do que o futebol somente. Enquanto no futebol muita gente só usa, na corrida você usa, pratica, faz, assim como na academia e em outros que não dependem de uma performance baseada no coletivo ou no auge da idade para fazer bem.
Ok, floreios à parte e pensando na performance e no fashion, a gente aqui vai entrar o ano analisando qual ou quais esportes tem tudo pra ser a nova tendência, não só na prática, mas também no estilo, afinal, tudo tem um ciclo e, se antes eram as calças baggys dos skatistas e sua influência no streetwear, hoje são as camisas que parecem de jogo com suas frases irônicas e chuteiras que foram tiradas do futsal para adentrarem (por um bom preço, diga-se de passagem) o guarda-roupa de fashionistas do mundo todo - acredite, esse ciclo também pode passar.
Tênis
O que vem sendo uma migração da corrida de rua e se tornando popular, principalmente com uma galera que tem (o que pensa que tem) mais grana, é o tênis. Com uma ideia tosca de que “a corrida ficou popular demais” ou de que precisam de algum outro gatekeeping para ter uma atividade só sua, fato é que a as raquetes de tênis (ou similares, e aqui eu sei que você vai me odiar por botar tudo numa categoria só) entraram nos stories e nos posts de bastante gente.
Aqui eu não estou falando do tenista que sempre praticou o esporte. Aliás, em nenhuma categoria eu estou falando do praticante ativo que sempre fez isso a vida toda - essa lista procura entender o que vem de novo enquanto tendência. Mas visualizar o tênis como um novo esporte dos ricos, também é, feliz ou infelizmente, ser influente de alguma forma no imaginário de todos.
Por muitas vezes precisar de uma quadra que você precisa alugar, um clube privativo ou algo do tipo, e também pelo fato de que as raquetes são caras, aliadas ao custo dos tênis e das roupas Dryfit ou tênis-tech, essa classe mais alta achou no esporte um lugar para “não se misturar”. Mas quando isso vai para as redes sociais, atinge todo mundo, independente de classe, e a influência se torna desejo, então pode ser que o tênis extrapole esse limite financeiro.
Além disso, a alta de atletas como Bia Haddad Maia e João Fonseca traz o Brasil de novo no holofote do esporte e mais vezes ele aparece em programas esportivos populares, páginas de notícia e acaba chegando em muito mais gente.
Nas artes, o tênis também vem sendo falado em filmes e produções audiovisuais diversas, como no Challengers, de 2024 e, mais recente, Marty Supreme, lançado no início de 2026 e que, apesar de falar de tênis de mesa, traz toda a estética dos esportes com raquete para dentro do imaginário cultural de quem o assiste - eles inclusive lançaram jaquetas com o nome do filme para sua promoção e deu uma viralizada boa.

Já no fashion, o #tenniscore é uma realidade nos últimos anos e vem sendo apresentada aos poucos, junto de outras tendências esportivas, mas com grande destaque - é só lembrar da Zendaya sendo totalmente tenniscore em 24 e 25. Aqui no Brasil, se você procura pela palavra no google, as marcas já tem abas separadas para produtos relacionados a isso e até o blog da Renner já está falando sobre. No TikTok, a # já ultrapassou 7 milhões de visualizações e não se resume só em momentos esportivos.
Saias plissadas, pullovers, moletons e shorts acima do joelho aparecem em vários looks. O tênis é forte candidato para esporte que mais vai influenciar o fashion em 2026.

Fórmula 1
Mais um dos esportes que são mais de elite porque precisam de dinheiro pra fazer tudo (desde praticar até ir num evento pra assistir), a Fórmula 1 tem voltado a ter palco para discussões, quadros nos programas esportivos, ter canais próprios de Youtubers e vem gradativamente sendo comentado nas rodas de conversa de geral, seja pelas polêmicas, pelos novos ídolos ou por, de fato, ser interessante.
Na questão da prática, a Fórmula 1 é um pouco mais difícil de ser cooptada por geral, uma vez que tem muito mais entrave financeiro que qualquer outra modalidade dessa lista, mas é curioso ver seu interesse, principalmente por homens. Já no fashion, existe um movimento curioso e particularmente brasileiro que não vem de hoje, mas que é bastante comum e reconhecível: o uso das camisas de escuderias de corrida por jovens periféricos enquanto ferramenta de identidade e estilo. Agasalho, camisa polo ou boné da Ferrari, os mandrake sempre trouxeram isso enquanto vestimenta.
Isso extrapola a periferia quando as marcas de streetwear começam a fazer seus modelos, collabs ou não, de suas versões de camisas das escuderias. Não é difícil achar em C&As, Cotton Ons ou Riachuelos da vida, alguma versão de camisas da Fórmula 1.
No audiovisual, a Fórmula 1 também vem sendo cultuada, com filmes como Senna, de 2024, o F1, de 2025 e a série Drive to Survive, da Netflix, que já conta com 7 temporadas.
Apesar de existir e sempre ser uma referência, enxergo essa tendência como algo mais nichado, mais voltado para homens héteros, portanto, não chega a ser a próxima grande tendência. Mas que existe forte, existe.

Futebol
Conforme disse no começo do artigo, esse é um ano de Copa e, consequentemente, é um que o futebol vai estar em alta. Ok, esse esporte talvez nunca esteja em baixa, mas em anos em que a competição acontece, sua evidência é ainda maior.
O futebol tem tido um impacto interessante no fashion nos últimos anos, com #blokecore, #brazilcore e outras tendência elevando ícones culturais do esporte e trazendo o vestuário de performance para além das quadras e campos.
No fashion, desfiles de marcas foram feitos em estádios, modelos de sapatos foram inspirados em chuteiras, camisas ganharam seus mais diversos bootlegs e por aí vai. Mas isso é uma moda que vai durar uns anos?
Apesar de ter tido um boom de popularidade, essas versões alternativas de camisas de time das marcas não são tão fortes quanto as próprias camisas em si. Vejo que o fashion bebeu tanto do futebol que até ficou sem inspiração, chegando a se auto-copiar e ser motivo de treta por entre seus agentes de quem fez primeiro ou quem foi mais real. Isso acontece a cada cultura que a moda tenta copiar, mas no futebol, da mesma forma que veio, vai se esvaindo e nem o adidas Samba, ícone dessa junção esporte-fashion, é mais o tênis do momento.
O futebol nunca vai estar em baixa na sua prática no Brasil, mas talvez não seja mais a tendência mais fresh que todos vão querer copiar.

Corrida
Apesar da repulsa mesquinha da elite pela corrida, aliás, por quem a pratica, esse esporte segue sendo um dos mais populares dentro e fora das provas. Acessível, com grande capacidade de evolução pessoal, com ganhos nítidos e sem precisar de muita coisa pra poder fazer, a corrida é atemporal, atravessando gerações e localidades. Tem hora que está mais em alta, hora mais em baixa, mas é frequente, todo mundo um dia correu, corre ou correrá.
Nos últimos anos, a corrida teve um impacto gigantesco no esporte brasileiro, sendo o mais praticado no Brasil em 2025, segundo a revista Forbes, e sendo um dos mais influentes também no mundo fashion-esportivo. Marcas brasileiras como a Olympikus e a Track & Field vem fazendo uma transição muito assertiva, mudando sua linguagem, seu visual e trazendo produtos interessantíssimos para corredores, podendo ser usados nas provas ou no dia a dia. Um tênis de corrida hoje não precisa mais ser só pra corrida, ele é incorporado no look da rotina por sua junção de conforto e estilo.
Lá fora, uma das marcas que mais se beneficiou dessa alta da corrida foi a On, marca suíça de tênis que soube mesclar tecnologia e minimalismo, chegando em um patamar de exclusividade e “uma marca de playboy” que depois de um tempo geral quis ter. Ela é uma que continua em alta, vendendo para corredores e agora para tenistas, tendo desde 2019 Roger Federer como um dos seus atletas do time. A marca ainda conta com Iga Świątek, Ben Shelton e João Fonseca no time.
Além das grandes marcas, a aposta na corrida também vem de marcas menores, que viram a oportunidade de transformar esse esporte em uma vitrine - a corrida como algo estiloso e gerador de identidade. Exemplos são a PACE e a coleção DT2 e a Sal Running, que já falamos sobre aqui na ISMO.
A corrida sempre vai ser influente, por mais que outros esportes virem tendência. A gente sempre vai ver marcas se inspirando na corrida e grandes corporações investindo cada vez mais em tecnologias para o esporte.

Fitness
Academia é esporte? Claro que é e o mundo fitness e do body building cresce exponencialmente a cada ano. O estudo do relatório anual Active Lives Adult Survey 2023-2024, divulgado pela Sport England, mostra que o setor de academias lidera o ranking de atividades esportivas no mundo. Já nos dados de uma pesquisa brasileira da ILUMEO divulgados em 2025, 58% dos entrevistados optam por atividades em academias a outros esportes.
No Brasil, fazer academia é algo comum, sem restrição de idade, gênero, raça ou classe social. Claro que esse último vem com asteriscos, mas é mais tranquilo afirmar que as pessoas dedicam mais dinheiro para uma academia do que para qualquer outro esporte - até quem faz outro esporte faz academia pra poder performar melhor. Então é fácil afirmar que eu, você e muita gente pratica essa categoria aqui e vê sua importância independente de outras atividades.
As redes sociais ajudam a impulsionar a modalidade, com seus memes, personagens, coaches, publi posts e afins. “Sabor energético”? Sim, pode crer que é atrelado a um personagem que vem da academia e o Toguro, essa máquina de memes, assim como outros influenciadores que colam com ele, incentivam uma porrada de gente a fazer exercício e ficar grandão ou grandona.

No fashion já não dá pra atrelar tanto o impacto do look de academia em grandes passarelas ou nas ruas badaladas da moda mundo afora. Uma calça legging ou um shorts de tactel a gente sempre vê, mas dá pra falar que isso é propositalmente fashion? Mas se a gente vai pros TikToks ou Instagrams da vida, é fácil afirmar que algumas marcas se inspiraram, sim, no ambiente de academia para ter seu público: Atara, LIVE!, Insider, Skims, Lululemon, entre outras, são algumas que estouraram a bolha, vendem roupas simples e caras e conseguem sim performar em grandes palcos da influência fashion com sua fusão do minimalismo e das propagandas aesthetic.
