Pen & Pixel são os reis das capas bling bling
A estética de capas de álbum do hip hop que dominou os anos 2000 veio da mente de Shawn Brauch - e tinha muita capa bizarra e engraçada
Design com camadas. Hoje você vê e pensa: “ok, é só mais uma pessoa colocando mil elementos no mesmo plano e fazendo uma arte” e, muito provavelmente, alguém coloque a IA nessa equação. Uma arte hoje com camadas soa quase como de mal gosto dependendo do uso, pode ser considerada brega e/ou pode até remeter à uma época e ser nostálgica. Não é incomum, por exemplo, vermos camisas de jogadores de futebol ou de artistas usando essa estética do design de camadas absurdas.
Mas esse conceito um dia teve nome e sobrenome, foi a cara do hip hop do sul dos Estados Unidos e trouxe um mundo de infinitas possibilidades dentro do Photoshop nos anos 90. A Pen & Pixel, dos irmãos Shawn e Aaron Brauch, trazia designs “bling bling” e com muitas camadas para artistas que queriam colocar um monte de elemento que representava sua música. Os caras viajavam nas ideias e a Pen & Pixel fazia acontecer - e sem IA.
Shawn Brauch sempre foi um artista. Seu irmão Aaron trabalhava remotamente para o Rap A Lot Records em 1990 e o chamou para um trampo de motion dentro da gravadora e lá, trampando com Photoshop, seu trampo deslanchou. “As pessoas queriam a arte da Rap A Lot, mas não assinar com a gravadora - a arte que fazíamos começou a chamar bastante atenção”, ele conta em entrevista para Montreality.
Vendo que o trampo tinha mais espaço do que a própria Rap A Lot, Shawn e seu irmão começam a Pen & Pixel dentro de seu apartamento, operando de 1992 a 2003 em Houston, no Texas. Suas capas virariam marco no visual do rap sulista norte-americano. Duas gravadoras que contaram com o trampo dos caras nos primeiros anos foram a No Limit Records e Cash Money Records. A primeira capa foi a de Trinity Garden Cartel, no álbum The Ghetto My Hood, em 1992. “A gente começou a adicionar camadas e o arquivo começou a quebrar - era muito detalhe, a gente mal sabia o que estávamos fazendo”, conta Shawn em entrevista para a Vice.
A Pen & Pixel contava com cinco artistas que faziam capas. As ideias vinham dos artistas, já sabendo que a imaginação podia ir longe com a equipe de design. Daí surgem capas como os caras voando em um sutiã na capa do Sexx Fiends - um clássico do design.

Os elementos das capas eram fotografados em estúdio e depois colocadas no Photoshop em camadas e iam complementando as ideias dos artistas. Se precisasse de um Bentley, era só fotografar e adicionar na capa. O mesmo valia para o artista, que passava por uma sessão de fotos e depois era adicionado como elemento na capa do seu disco. Isso tudo no Photoshop 1.
As capas traziam nomes em bold brilhante, muitas vezes com diamantes encravados, destacando o artista de vários outros elementos, que podiam ser qualquer coisa. Tinha caveira, notas de dólares, carros, mulheres, animais e até um abacaxi. Sim, um abacaxi no meio da capa do Big Ballers, em 1998.

“Os caras traziam as ideias e a gente colocava na capa. Muitas ideias eram aspiracionais, para as pessoas quererem fazer mais. A gente colocava um Bentley na capa e depois, com a venda dos discos, os artistas podiam realmente ter aquele Bentley” - Shawn Braun

Pen & Pixel teve um programa de TV, o Pixel Music Television (PMT) e a Pixel Press, que fazia artes impressas sob encomenda, com diferentes tipos de arte e de customização.
“Os caras que não me conhecem, ficam de cara vendo que sou branco (risos). Mas eles sabem que estou do lado deles e que nosso staff estava ali para fazer acontecer” - Shawn Braun
Os primeiros designs da Pen & Pixel eram mais chapados, um aspecto mais “raw” de artes com camadas. Mais perto dos anos 2000, as coisas começaram a ter o visual mais “bling bling”, com brilhos e diamantes, o que deu a eles uma reputação. “As lojas tipo Wall Mart não vendiam discos com armas ou violência na capa, então a gente trouxe a ideia das capas irem mais para um caminho do dinheiro, carros, mulheres e os caras curtiram”, comenta Shaun em entrevista para a Vice.




As capas antes eram bem criminais, com armas, tiros e situações de crime
Um dos artistas que mais venderam as capas da Pen & Pixel foi Master P e a colaboração com ele foi gigante: em uma reunião, 16 capas foram pensadas junto. A capa de The Last Don, uma das mais famosas dessa junção, precisou de uma sessão de fotos de 15 minutos e uma colagem para ser feita.

A Pen & Pixel teve mais de 600 clientes, mais de 900 capas e fechou em 2003. Dentre os artistas mais conhecidos, Snoop Dogg, Three Six Mafia, Big Boy Records, Lil Wayne, Chris Rock e Project Pat tiveram capas da Pen & Pixel. Suas artes foram além do óbvio, deram uma cara pro rap em diferentes situações e trouxe uma estética que é cultuada até hoje, seja por nostalgia ou por admiração.









Os caras imaginavam e a Pen & Pixel fazia acontecer