Ludovic em um novo capítulo de sua própria história
Vinte anos depois de Idioma Morto, banda retorna com um álbum que reafirma sua identidade sem abrir mão de seguir em frente
Alguns discos demoram anos para acontecer porque precisam de tempo para existir. É o caso de Ludovic, terceiro álbum da banda paulistana, que chega às plataformas duas décadas após Idioma Morto (2006), encerrando um longo hiato sem lançar um disco de inéditas.
Formado por Jair Naves, Eduardo Praça, Zeek Underwood e Rodrigo Montorso, o quarteto volta sem recorrer à nostalgia como principal argumento. O novo trabalho nasce da retomada dos shows comemorativos realizados nos últimos anos, mas olha para o presente. Em vez de revisitar uma fórmula, o disco registra uma banda que voltou a compor coletivamente, incorporando tudo o que seus integrantes viveram em carreiras paralelas desde o fim das atividades, em 2008.

Essa mudança aparece tanto na construção das canções quanto na sonoridade. A urgência e a crueza que marcaram os primeiros trabalhos continuam presentes, mas agora dividem espaço com sintetizadores, samples, gravações caseiras, harmonias vocais mais elaboradas e novas texturas sonoras. É um álbum que preserva a essência do Ludovic enquanto amplia seu vocabulário musical.
As letras de Jair Naves seguem sendo um dos pontos centrais do trabalho. Reflexões sobre reencontros, despedidas, luto, poder, capitalismo e autoconhecimento atravessam as onze faixas com o caráter confessional que sempre aproximou a banda de seu público.
O fato do disco levar apenas o nome da banda também não parece casual. Depois de vinte anos, o título funciona menos como uma apresentação e mais como uma reafirmação: o Ludovic continua aqui. Mudou, amadureceu e absorveu novas influências, mas preserva a identidade que o transformou em influência declarada para diferentes gerações de artistas da cena independente brasileira.
Gravado, mixado e masterizado por Fernando Sanches no Estúdio El Rocha e lançado pela Balaclava Records, Ludovic marca o retorno de uma banda que nunca precisou correr atrás do tempo. Em alguns casos, vinte anos são exatamente o intervalo necessário para que uma nova história faça sentido.