ogoin & Linguini chegam ao pop em novo single com Buchecha

Sensualiza chega conectando gerações e apresentando a sonoridade do duo mineiro para o resto do país

ogoin & Linguini chegam ao pop em novo single com Buchecha
ogoin, Linguini, Buchecha e Machadez

Na última quinta-feira, 30/04, ogoin & Linguini lançaram Sensualiza, novo single que conta com a participação de Buchecha, referência no funk dos anos 2000. A faixa traz o funk melody e o volt mix para uma sonoridade moderna, que ao mesmo tempo, conversa com quem viveu o funk na época e o apresenta para quem tá chegando agora.

O encontro aconteceu de maneira natural – à partir de um convite dos produtores Humberto Tavares e Jefferson Júnior, da Mousik, que se interessaram pela sonoridade singular e inovadora do duo mineiro. "É essa ideia de fugir, mesmo, do que tava sendo feito na época. O Claudinho e o Buchecha tiveram, assim como a gente, essa coisa de fugir de certos estereótipos do que se imaginava da figura do rapper, do funkeiro, de quem tá em contato com a cultura hip hop", explica Linguini, produtor da dupla que dividiu a produção de "Sensualiza" com Machadez.

O som explora uma sonoridade mais pop, até radiofônica, mas se mantém alinhado à identidade sonora construída ao longo dos últimos anos do duo. "É a possibilidade que a gente enxergava dentro do projeto de também soar mais comercial, mas trazer isso de uma forma que a gente consiga colocar as nossas características, nossas ideias e nossas representações. Esse é o cerne do nosso projeto, desde o momento em que a gente decidiu ser a dupla – conseguir criar coisas dos mais variados tipos, formatos e públicos, mas sempre buscando trazer essa identidade", conta ogoin.

Capa de Sensualiza
"É um momento muito importante, porque coloca a gente dentro de uma construção de legado. O Buchecha topou muito por isso – ele trouxe pra gente: ‘eu enxergo vocês como uma continuação, até ideologicamente, do meu objetivo musical, do que eu acredito ser a minha representação como artista’. Receber essa importância é muito positivo, ainda mais com um resultado tão bom quanto foi o som." – ogoin

Em 2023, Ogoin & Linguini: TV Show colocou o som da dupla no mapa. O disco mistura diversos gêneros musicais de maneira divertida e original, na criação de um universo sensível que trabalha entre a nostalgia, a experimentação e a modernidade. "O TV Show deu pra gente uma noção sobre essa conversa entre gerações. Essa noção de legado vem dessa junção de gerações, tanto de artistas, como de público", pontua Linguini. Nesse momento, a intenção era abrir espaços e expandir as possibilidades sonoras, tanto para quem fazia parte do projeto, ou que estava, em algum sentido, fazendo o mesmo tipo de música em algum outro lugar.

Hoje, essa cena se desenvolveu e tem conquistado mais espaço, em muito graças as experimentações dessa época, como explica ogoin: "o principal motivo pelo qual eu me orgulho, hoje em dia, é poder olhar pra trás e ver que, dentro dessa construção coletiva, a gente realmente conseguiu criar um espaço mais à vontade para algumas formas – junto de outros milhões de projetos que vieram junto e estavam comunicando ali dentro da mesma ideia, de uma cena que hoje é mais evidente, mais referenciável e mais consumida."

Linguini e ogoin

Essa abertura de espaços não foi uma missão individual do duo mineiro. Uma grande rede criativa independente veio se construindo ao longo dos últimos anos, trabalhando nas intersecções dos cenários e olhando para novas possibilidades. Um exemplo é Melodia&Barulho, trabalho de Maui que explora a pluralidade e coletividade da música eletrônica underground – e conta com participações de ogoin e Linguini em três faixas.

"Como esses projetos estavam acontecendo e amadurecendo, a gente foi se encontrando muito em quem tinha essa sinergia – tanto das formas de criar, mas também dos objetivos e das capacidades de criação. Aos poucos, a gente vai se encontrando e se identificando, entendendo as dificuldades, e se sentindo mais confortável no seu espaço de dificuldades e limitações", conta Linguini. Esses artistas deram uma nova cara para o drill no Brasil, introduzindo a melodia e temáticas mais sentimentais e profundas, abrindo novos caminhos para um gênero que muitas vezes se mostra pouco criativo e limitado.

"Na época que a gente começou a fazer os nossos drills melódicos, o Maui falava com o ogoin: 'a gente é a galera da melodia, nós temos que comprar essa parada. A gente é a galera que mistura o barulho do eletrônico com a melodia' – é uma união sinistra, cabulosa, mesmo." – Linguini

ogoin e Linguini - Coletânea Good Times

Lançado no ano passado, Coletânea Good Times expandiu essa sonoridade e trouxe outras facetas do projeto – num processo marcado por um amadurecimento e desenvolvimento da identidade sonora, como explica ogoin: "não é nem experimentar no sentido de lidar com o estranho, mas sim de agregar coisas novas, que a gente ainda não testou. É a sede que a gente tem de tentar expandir, cada vez mais, o que a gente já conseguiu criar dentro desse espaço de exploração e de possibilidades. É essa vontade, que a gente ainda tem, de sair da caixinha, de buscar referências não óbvias".

Nessa expansão, outros artistas, como a Sarah Sampp, têm levado essa estética adiante. A artista, que tem trabalhado com Linguini, assume referências dos anos 80 para a construção da sua identidade sonora, com muita influência de rádio, da TV e da mídia da época. Ela se junta aos trabalhos de ogoin e Linguini, do ruadois e do FBC e do VHOOR em BAILE, por exemplo, na construção da sonoridade e estética do underground de Belo Horizonte de um determinado momento.

"O ambiente muda muito como a música é feita. A gente é o underground do underground, nesse sentido – dois manos num quarto, eu fazendo os beats, às vezes escrevendo um pouquinho e o ogoin escrevendo, fazendo melodia, pensando umas coisas. Por mais que hoje a gente tenha um som radiofônico com o Buchecha, a gente ainda é muito underground." – Linguini

Essa identidade, construída com muito cuidado ao longo dos últimos anos, se encontra com Buchecha em Sensualiza, single que mistura esses dois universos e gerações naquela construção de legado que falamos no começo. A faixa abre os caminhos para um novo momento da dupla, mais focado em singles e em outras maneiras de construir projetos musicais além dos discos.

Toda essa história vai continuar influenciando e se desdobrando nos próximos passos de ogoin e Linguini, que ainda querem, e muito, criar novas sonoridades e possibilidades dentro de suas músicas, como explica ogoin: "é sempre essa ideia, de construir algo que expanda a percepção sobre aquilo que a gente tá querendo trazer ali – seja um soul, um drill, um rap, um pop, um funk. Não ser tão óbvio, dentro de coisas que você pode consumir de uma forma gostosa, com quem se identifica, com quem escuta. Sem bater sempre na mesma tecla, falar sempre das mesmas coisas, usar sempre dos mesmos argumentos.

Hoje, a gente já consegue pensar naquela música mais arriscada, naquela ideia que antes a gente olhava e pensava que a galera não ia entender tanto. A gente já não se importa muito com essas questões, porque a gente sabe o quanto isso pode ser positivo pra dentro do projeto, e o quanto isso, se for fazer sentido mesmo, vai acabar se materializando em algo que a gente queria."

Ouça Sensualiza, já disponível nas plataformas digitais


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