Música e subcultura dos adversários do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo
Três subculturas vibrantes de Marrocos, Haiti e Escócia que fazem dos adversários do Brasil fontes de novos artistas e sons
Na Copa do Mundo de 2026, Marrocos, Haiti e Escócia são adversários do futebol brasileiro. Os jogos que acontecem dia 13, 19 e 24 de junho trazem esses três países contra nossa Seleção, mas o que a gente viu não foi só um embate dentro das quatro linhas, mas sim uma oportunidade pra conhecer três outras culturas que nem sempre são tão ligadas às nossas.
Como aqui na ISMO nossa veia musical e artística fala alto, fomos atrás de saber quais ritmos musicais são populares nesses três países - esperamos que tenhamos mais adversários, mas enquanto a gente espera pelos jogos e torce quando eles acontecem, trazemos aqui o que eles estão ouvindo para ouvirmos na nossa playlist de Copa também.

Marrocos: Morap
A cena de rap no Marrocos é muito forte e completou 40 anos de existência recentemente. Oriunda dos anos 80 e com a presença marcante de Sham Dinn saindo do Marrocos e indo atrás de uma carreira na França, o rap marroquino sempre andou junto da juventude e dos movimentos sociais que marcaram a revolução musical do país nas décadas seguintes. Casablanca e Rabat foram epicentros nesse começo, que logo se espalhou por todo o país.
A resistência a fazer músicas em outros idiomas, a cultura islâmicas nas letras, a herança multicultural do país e os temas sociais marcam o gênero no Marrocos, com artistas como ElGrandeToto, ISSAM, Stormy, Dizzy Dross e Tagne tendo clipes que batem mais de 90 milhões de views cada um no Youtube.
Hoje esses rappers moldam o que é o som da juventude no Marrocos, não só mais indo contra sua colonização mas celebrando sua identidade e cultura. Além disso, existe uma ligação enorme do rap marroquino com o futebol, não só na estética mas também nas histórias contadas. Músicas com nomes de jogadores tipo Maradona, Cole Palmer e Messi são comuns, enquanto nos clipes as camisas de time são as mais diversas e de clubes do mundo todo.
Essa aqui do Stormy tem a favela da Rocinha, beats de funk e toda a estética do Brasa
Haiti: Kompa
O Kompa vem dos anos 1950, da cabeça de Nemours Jean-Baptiste, saxofonista que misturou influências caribenhas, francesas e africanas para criar o ritmo que definiria a dança no país.
Nas décadas de 70 e 80, o Kompa ficou global, com bandas caribenhas excursionando pelo mundo todo levando o ritmo. Orchestre Septentrional D'Haiti e Coupe Cloue traziam alegria e dança para pessoas que antes nunca tinham ouvido o gênero.

Desde então, o Kompa é popular por inúmeros motivos: é dançante, sensual, divertido, agrega pessoas, atrai turistas, e assim foi se tornando o ritmo mais tocado no país. Recentemente o Kompa viralizou por seu caráter sensual, com vídeos de dançarinos bem próximos fazendo os passos mais ousados a dois. O bang pega fogo!
Hoje o Kompas é patrimônio imaterial da UNESCO e dentre os artistas mais populares do gênero hoje, incluem Rutshelle Guillaume, Joé Dwèt Filé, Bedjine e WID participam de festivais no mundo todo levando o ritmo.
Escócia: Clubbers
O Reino Unido sempre teve uma cena forte na música eletrônica e os clubbers ficaram famosos nos anos 90 por sua cultura vibrante, noturna e dançante. Em Glasgow e em Edimburgo, na Escócia, as baladas se proliferaram e trouxeram muitos jovens para dançar ritmos frenéticos dentro de clubes quentes, em contrapartida ao frio cortante que fazia lá fora.

Uma cena que ficou muito forte no final dos anos 80 e começo dos anos 90 e que virou referência de rolês até hoje. Ir para o Reino Unido, especialmente pra Escócia, é enfrentar frio do lado de fora e música eletrônica do lado de dentro dos bares e baladas.
Calvin Harris, CHVRCHES, Denis Sulta, Boards of Canada, Hudson Mohawke e muitos outros são nomes de diversas vertentes do eletrônico, do pop ao underground do bass, drum’n’bass e afins.
Inclusive o Boards of Canada lançou um álbum agora em junho de 2026
Para finalizar e entrar no clima de Copa e dos embates da primeira fase, selecionamos a dedo algumas tracks de artistas ligados a esses países e cenas e montamos uma playlist, que obviamente, também tinha que ter algumas do Brasil. Senta o dedo no play e aproveita para conferir outras playlists exclusivas em nosso perfil do Spotify.