Mug3n explora a sua origem no drill em novo EP, Jovem Latino

O MC paulistano, que hoje se destaca na cena do grime, explora diferentes vertentes do drill em novo projeto lançado pelos RAGGACLUBBERZ

Mug3n explora a sua origem no drill em novo EP, Jovem Latino
Foto: @neveex

Na última segunda-feira, 08 de junho, Mug3n, MC original do Grajaú, São Paulo, lançou o EP Jovem Latino, explorando a sua identidade artística em cinco faixas que transitam por diversas vertentes do drill. O EP, todo gravado e produzido em 2022 em parceria com o Jovem japa, funciona como um registro do início da sua trajetória na música, e conta com participações de Girghas e Kaef – respectivamente, integrante do antigo coletivo do MC, Grajatlanta, e o outro, parceiro na construção da Estação do Rap, batalha que movimenta o rap na região.

"Mesmo sendo de 4 anos atrás, ele bate muito recente, muito novo. Eu não gosto de mudar as coisas que eu fiz antigamente, porque era uma visão, uma estética que eu tinha naquela época, e as coisas vão mudando." – Mug3n

Jovem Latino é o terceiro lançamento do selo RAGGACLUBBERZ, chegando na sequência de ON, do Cassiel, e SANTA SUCATA vol.1, do Sucateiro, e funciona como um pontapé inicial na discografia do Mug3n, que hoje faz parte da nova geração do grime nacional e se destaca pela sua energia no set e pelas participações em faixas como "RAGGACLUBBERZ", "Cavalona Toma" e "XERECARD".

Lá em 2022, vindo de experimentações no boombap e no trap, foi no drill que o MC encontrou o seu caminho, compartilhando as suas pesquisas e influenciando a sonoridade do rap no seu entorno. Percebendo a alta do gênero, que conquistava cada vez mais espaço no ecossistema do trap brasileiro, Mug3n resolveu dar à ele uma nova cara e interpretação, explorando temáticas que não costumavam aparecer nas faixas da época.

"Quem tomou o drill foram os caras do boombap, um pessoal que é mais fechado e não vão falar uns bagulhos de festa – eles não vem tanto nessa vertente. Eu quis trazer isso, falar muito sobre diversão periférica – sobre como o quebrada se diverte, o que ele faz pra se divertir. Fala muito sobre ser artista independente, também. Sobre como é difícil separar a vida pessoal da de artista e como uma interfere na outra."

Uma das maneiras de trazer essa diversão nas letras é por meio da putaria, temática que não aparece com a intenção de soar "sensual", mas sim de causar choque. "Eu comecei a escrever essas putarias no drill. Tanto que, no começo, até pensei: 'caralho, agora eu vou ter que cantar esses bagulhos no show – agora vou ter que incorporar essa persona', explica ele, que separa o discurso da música daquele da vida real: "eu vejo o Mug3n como uma persona. Porque se eu for igual o Mug3n, eu sou um doido, um maluco. Eu meço bastante as minhas palavras, principalmente com as minas, pra não ser algo ofensivo e ser um bagulho que elas gostem também."

"E se eu não conseguir?" inaugurou os caminhos do EP – uma faixa reflexiva, sem palavrões, que aborda outras temáticas que também compõem o projeto

"Ele não saiu antes porque era pra sair agora. Antes, eu tava meio imerso na quebrada, fazia dois shows por ano, o bagulho tava bem para baixo. Eu tava precisando de uma luz, e quando eu conheci os moleques (RAGGACLUBBERZ), eu falei: 'era esse pessoal que eu tava precisando conhecer'", conta Mug3n, que mesmo com as frustrações de não ter lançado na época, manteve o projeto inalterado para o seu lançamento agora, quatro anos depois.

"Eu não gosto de ficar alterando, porque mata uma lembrança do passado, e eu vou reescrever um sentimento que eu tava sentindo naquela época?", explica o artista, que complementa: "mesmo eu estando nisso há muito tempo – 7 anos fazendo rap – eu acho que esse é um pontapé inicial pra uma nova fase. Eu brisava no drill, mas depois que eu conheci o grime – conhecer mesmo, ir nas festas e ver como é diversificado, como é um movimento muito livre –, eu comecei a brisar menos no drill.

Eu já viajei duas vezes pra cantar, tá ligado? Tava cantando nem duas vezes por ano, e já viajei duas vezes pra mostrar a minha arte. Eu acho que esse é o momento certo.

Todo mundo tava precisando se encontrar, e se encontrou no momento certo. Querendo ou não, o grime não tava mais tão em alta, e começou a entrar numa relevância muito grande. Isso que eu acho da hora dos RAGGACLUBBERZ, que cada um tem uma característica única que faz o bagulho ser enorme."

Jovem Latino já está disponível nas plataformas digitais. Ouça e acompanhe o trabalho de Mug3n e dos RAGGACLUBBERZ nas redes sociais, e se estiver em São Paulo, fique de olho na programação do coletivo que tem movimentando a nova geração do grime na cidade.

"Eu acho que vai transmitir muito sobre liberdade artística, sobre poder fazer uma música doida, sem pensar muito – fazer uma voz engraçada, uma voz grave. E também que não pode perder a fé, tem que acreditar. Às vezes você tá numa fase ruim – todo mundo, todo artista passa por isso. Não é só você que tá sofrendo, tá ligado?"

O EP já está nas pistas, com a capa assinada por @l7alprod


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