Um papo com o Kool Metal Fest

Próxima edição tem I Shot Cyrus, Cemitério, Fossilization e muitas outras bandas - e tudo de graça 

Um papo com o Kool Metal Fest
Já teve Brujeria em edições do Kool Metal Fest

O Kool Metal Fest é um festival presente no Brasil desde o começo dos anos 2000, mesclando bandas e cenas que se conversam, mas nem sempre estão sob o mesmo palco. Do metal extremo ao hardcore melódico, o Festival já reuniu bandas brasileiras e internacionais, em rolês pagos e gratuitos, muitas vezes abertos para quem quisesse entrar e conhecer, em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba.

Em 2026, no dia 20 de junho, o Kool Metal Fest junto da Descontrole trazem mais uma edição gratuita, com I Shot Cyrus, Greve, Pen², Em Chamas, Lamento, Crimes de Guerra, Dor, Fossilization, Cemitério, Kvlto, Ethel Hunter e Arma. Uma festa junina diferente, no Tendal da Lapa, em São Paulo, a partir das 14h. 

Para saber mais sobre como os caras mantém um festival há 20 anos e o que diferencia o Kool Metal de outros rolês, a gente conversou com o Ailton Lucena, uma das pessoas por trás do projeto. O Ailton talvez seja a pessoa que é mais atrelada ao Festival, muitas vezes sendo confundido pelo cara que faz sozinho a parada – nesse papo ele comenta sobre isso e realça a importância de muitas outras pessoas agentes para fazer o Kool Metal Fest acontecer. 


Salve Ailton, conta um pouco sobre o histórico do Kool Metal Fest, que vem fazendo rolês desde o começo dos anos 2000. 

A ideia surgiu de um amigo nosso que infelizmente já não está mais entre nós, Rodrigo Smile figura ímpar do nosso role underground 2000/2010. Como ele tinha banda, queria tocar, meteu as caras… Desde o começo estávamos eu, ele, Fabricio e Cleiton, quatro amigos fazendo acontecer e meio que fazemos isso até hoje. Ele teve a ideia e a gente seguiu no suporte, tanto que no início nem era pra ser um festival, era mais um evento mesmo.

Como a primeira edição deu muito bom lotando a Tribehouse, com bandas bem relevantes da época como Leroy, Are You God? Itsari, Seven I Lie, Grimorium entre outras seguimos fazendo e assim foi nos três primeiros anos. Várias bandas fodas tocaram como Constrito, Point of No Return, Paranoia Oeste etc essas edições rolaram muito bem nesse primeiro momento.

Depois, demos um passo maior, fomos para o galpão do Jabaquara onde rolava a Verdurada. 

Nessa época a gente metia as caras e fazia, sem saber muito o que estava fazendo. Gravamos um DVD em 2005, que pra mim foi bem significativo, com Ludovic, U.D.R., Point of No Return, Paura, Carahter, No Race Muita banda legal. No ano seguinte trouxemos o Genghis Tron, nossa primeira aventura com uma banda internacional - não deu muito certo financeiramente, mas foi muito massa (risos). 

A premissa básica sempre misturar sem se apegar a estilos tendo como base a curadoria.

Nessa edição gravamos outro dvd nós enrolamos e nunca saiu, ocasionando uma pausa.

Voltamos em 2010 e junto com a Sobcontrole surgiu a oportunidade de fazer o Napalm Death, Suffocation, DER, Violator e Wester Day e foi foda. É assim seguimos com edições esporádicas nos anos seguintes como por exemplo em 2016, com Dr Living Dead, outra banda gringa, Ratos de Porão homenageando os 30 anos de Anarkophobia, PxPxCx etc.

Esse show foi a virada de chave e entendemos o que queríamos como festival: diversão quase inconsequente e curadoria certeira. Voltamos de de vez em 2019, com duas versões, um com a Nata do underground como Violator, Flagelador, Whipstriker, Damn Youth/Echoes of Death etc e outra com bandas mais mainstream, com Brujeria, Nervosa, Cemitério no line. Após a pandemia, voltamos de forma definitiva e bastante ativa onde fizemos bandas como Possessed, D.R.I. Vio-lence, Crypta e bandas de várias regiões do país.

Sempre foi algo faça você mesmo. Quais são os maiores perrengues nesse quesito?

O problema maior é a coisa se pagar, o financeiro. No geral ele funciona, porque a gente é bem pé no chão, a gente frequenta bastante show, sabe o que funciona e não funciona, sabe o custo das coisas, até onde a gente pode ir. O maior perrengue é a conta fechar, de resto a gente desenrola. 

A premissa básica é não focar no retorno financeiro. Se fosse, a gente iria pra outros caminhos que a gente sabe que dá mais certo. Ela se baseia na satisfação pessoal mesmo, tentar colocar as bandas boas nos espaços que muitas vezes é ocupado por quem tem um bom marketing ou network, nada contra porém tentamos fazer esse meio campo para que bandas excelentes porém não tão agilizadas ocuparem esses espaços.

O próximo evento é dia 20 de junho. Me fala um pouco sobre fazer esse rolê gratuito. 

Sempre tentamos intercalar eventos maiores com eventos gratuitos. Ressaltando que isso é possível graças a parceria que temos com o Tendal da Lapa, o centro cultural mais antenado nos roles mais interessante que tem na cidade.
Esses eventos gratuitos são os mais gratificantes, neles por exemplo, conseguimos colocar o I Shot Cyrus uma banda clássica que está inativa com bandas novas e relevantes. Esse cast ficou matador tanto com o que acontece no metal quanto no hardcore. 

É um show que você deve ver da primeira à última banda. O feedback do público nesse aspecto é muito legal. Geralmente a galera é bem antenada, mas nesses rolês a pessoa consegue conhecer coisas novas e curtir sons diferentes. Não é um festival de um estilo só, a gente tenta mesclar, pegando como base a qualidade musical como um ponto de convergência.

Vai ter I Shot Cyrus no dia 20 (foto: arquivo Hardcore 90)

Eu sinto que deu uma rejuvenescida no público. Você tá no rolê há bastante tempo, como você vê isso e como pensa na hora de montar um line-up de festival? 

Uma das melhores coisas do pós-pandemia foi essa renovação, tanto com bandas e cenas novas, molecada muito foda, porque eles são muito atentos e interessados a tudo que acontece. A gente trás bandas que conversam com elas, outras não, e eles agitam do início ao fim, interagindo online e offline.

Essa é o fato mais interessantes que aconteceu nos últimos tempos, estava até um pouco estagnado. Antes tinham só nossos amigos curtindo, pessoal das bandas e hoje tem público. Isso é legal demais. 

E como é, mais ou menos, essa curadoria de bandas e artistas que participam do Kool Metal Fest? 

Então, antes disso, quero falar que não sou só eu fazendo o rolê. Eu, Thiago DER, do Cospe Fogo, o Cleiton, o Tatá da Sobcontrole, o Charles, Levi, muita gente… Não parece, todo mundo acha que é só eu, mas não é (risos) – eu sou a pessoa que acaba levando o nome, mas tem um trampo de várias pessoas, muita gente envolvida e apoiando. 

O Ailton é o descalço - é fácil encontrar ele de chinelo por aí

Uma reclamação recorrente que a gente escuta é a repetição de bandas. Mas a gente tenta fazer uma mescla que funcione, colocando bandas que a gente gosta, que tem público e eventualmente acabamos repetido junto com bandas novas. É uma mescla que funciona, bandas que trazem público e que a gente gosta, outras que a gente vê que estão fazendo coisas interessantes… É meio que natural, vivendo o meio que a gente vive, colando em outros shows, bandas que estão na ativa, fazendo sons e apresentações legais. 


A gente monta um cast, se o olho brilha, dá vontade de ir, então fizemos o cast certo. Isso acaba reverberando nas pessoas de forma parecida. 


Kool Metal Fest 2026 

Tendal da Lapa e KMF/Descont.role apresentam:

Palco Descont.role (interno)

I Shot Cyrus 19:30
Greve/Pen² 18:30
Em Chamas 17:30
Lamento 16:30
Dor 15:30
Crimes de Guerra 14:30

Palco Kool Metal (externo)

Fossilization 19:00
Cemitério 18:00
Kvlto 17:00
Ethel Hunter 16:00
Arma 15:00

Arte: @crucialxkool

Serviço:

Festa Junina no Tendal da Lapa
20/06/26 as 14:00
Entrada Gratuita
Rua Guaicurus 1100 Lapa -SP
Feira de economia criativa
Censura: 18 anos
Menores de idade somente acompanhado pelo responsável legal.


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