The Nine Customs traz arte nas camisas de futebol

Com intervenções feitas à mão nas camisas de futebol, Gabriel vai entrando no mundo das camisas e das personalizações

The Nine Customs traz arte nas camisas de futebol

Recentemente, o mundo das camisas de futebol viu um boom de adeptos, com a alta do estilos que incorporaram o item ao look e com as diversas possibilidades de se conseguir camisas que outrora eram icônicas ou impossíveis de serem achadas. 

Mas um fato que vai além das camisas é de que, hoje em dia, a customização não fica só no nome e número do atleta nas costas. Frases engraçadas, bordados minimalistas, silks estourados e várias outras intervenções surgem no feed de quem acompanha esse universo - e foi onde a gente encontrou o Gabriel Campos, que com a The Nine Customs traz desenhos feitos à mão para kits esportivos e os transforma em obra de arte. 

Camisas icônicas do São Paulo, coleções com ídolos, presenças em feiras de futebol e muito mais. Confira a conversa que tivemos com o Gabriel e sobre seu projeto de camisas. 


Você acabou de fazer um rolê envolvendo o São Paulo no Estádio do Morumbi. O que rolou? 

Boa, é verdade. A gente acabou de lançar uma coleção do São Paulo e as fotos foram feitas dentro do estádio do Morumbi. Eu sou São Paulino desde que nasci e essa oportunidade surgiu depois que fiz uma jaqueta sobre o Rogério Ceni. Aí teve um cara no instagram, o @ dele é @spfc e ele comentou na foto elogiando, colocando emojis de coração, essas coisas, e eu fui na DM do cara perguntar se ele não queria fazer uma parceria. Eu não curto muito essas coisas, mas ele foi super solícito e aceitou a ideia, mas pra isso eu pensei que tinha que ter um certo estoque, para poder atender bem uma possível demanda que poderia surgir com quase 3 milhões de São Paulinos vendo meu trampo. 

Pedi pra ele esperar um pouco, para que eu pudesse fazer algumas peças e deixar em estoque e aí a gente deixou para o fim do ano agora. Aí ele que veio com a ideia de fazer dentro do Morumbi, porque ele tem uns contatos por lá - e é claro que eu pirei na ideia. 

Então rolou isso, esse ensaio com essas peças dentro do estádio. 

Pode crer, bem legal! Voltando um pouco na história do seu projeto, vi que o primeiro drop do seu projeto foi em 2021. Como surgiu a ideia da The Nine Customs? 

Desde criança, eu sempre gostei de desenhar, de futebol e sempre gostei de roupa por influência da minha mãe - ela sempre se vestiu muito bem, sempre se preocupou com a imagem e passou uma imagem de estilo e elegância. 

Eu tentei três faculdades e não conclui nenhuma. Aí veio a pandemia e vi uma galera customizando roupas e achei muito foda e fiz uma imersão nisso., enquanto estava num EAD de nutrição, que também não deu certo. 

Comecei a fazer as paradas e uma galera começou a gostar. A primeira coleção foi com roupas minhas que estavam paradas no meu armário, que eu não ia mais usar, cortando umas paradas à mão, bem experimental, mesmo. A partir disso, vi que era algo que dava certo e não parei mais - isso vai fazer 5 anos. 

No drop Copa de 2022 você começou a colocar personagens/jogadores nas camisas. É um processo trabalhoso de pintura, né? Antes você já pintava? Como é sua relação com a pintura?

Sobre a coleção da Copa, foi ali que eu realmente comecei a focar no futebol, sabe? Pensei em fazer uma coleção com o tema da Copa, das seleções e foi onde virou a chave pra mim. Fiz 5 peças especiais, em cima de camisas retrô, onde pintei obras mais trabalhosas, com os craques dos times. 

Sobre a pintura, como eu falei, sempre desenhei, desde criança, mas sempre no grafite e lápis. Essa coisa da pintura se intensificou enquanto eu estava fazendo as peças, mesmo, foi ali que comecei a entender e mexer mais com tinta de tecido. Essa coleção foi um grande desafio, porque queria fazer o Ronaldo e o Ronaldinho como se fossem fotos e o resultado foram aquelas camisas! 

Mais pra frente fiz a coleção ídolos, que são os maiores ídolos dos 12 maiores clubes do Brasil. Cássio, Marcos, Renato Gaúcho… Essa foi um negócio muito mais fino, fiquei feliz com a evolução da parada.

Uma diferença que vejo do seu projeto para outros é o fato de ser pintura a mão, enquanto outros sao de silk. Como você vê essa diferença? 

Cara, eu nunca pensei em fazer estampa, em fazer silk, porque eu adoro desenhar e isso foi meio que o processo natural desde que eu era criança, sabe? Desenhar, arte, futebol… Então por que não por essa parada manual na roupa?

Acho que esse é o meu principal diferencial do que você vê por aí na internet. Claro que você vê muita coisa legal e bonita, mas é um processo digitalizado, mecânico. Meu bagulho é 100% artesanal, totalmente manual, tá ligado? Até trabalho às vezes com serigrafia, mas as pinturas são artesanais. 

Tem costura, tem pintura manual, tem pintura com rolinho, é artesanal, mesmo, a parada. Até já vi outras pessoas fazendo coisas à mão, mas parece que alguns vomitam as coisas em cima da peça, enquanto eu penso em fazer algo muito mais elegante, não muito trash, pensando no posicionamento de cada elemento na peça. 

E sobre as feiras de futebol que estão rolando hoje em dia? Como é pra você fazer parte desse universo também? 

Cara, isso é primordial. O Pedro (CasualFootball) foi quem abriu as portas pra mim e, antes disso, eu nunca tinha imaginado que ia participar de algo físico envolvendo as camisas. Depois dessa primeira feira, num bar de Pinheiros, um outro parceiro gostou pra cacete do meu trampo e me levou num evento de colecionadores no Pacaembu, onde só ia a galera que tinha coleção mesmo, que faz exposição, que tem lojas de camisas… Eu fui o único que foi com arte. 

Aí a galera começou a me ver e esses caras são uma comunidade, está todo mundo, sempre os mesmos, sempre presentes em todos os eventos, sabe? Foi aí que meu trabalho foi ficando mais conhecido. Comecei a frequentar mais eventos, fazer parcerias, network, eles começaram a me compartilhar e isso fez uma puta diferença, a visibilidade aumentou bastante. 

Gabriel em uma feira de colecionadores de camisa no Pacaembu

Eu vejo que as customizações estão cada vez mais presentes na cultura do futebol. Antes era só um nome e numero diferente e hoje é tudo que vier na cabeça. Como você vê essa parada da customização enquamto identidade própria hoje? 

Eu acho muito legal, acho que a arte é a oportunidade para você se expressar. Claro que tem muita coisa genérica ou trash, mas tem muita coisa legal, tanto de serigrafia quanto arte, mesmo. Eu acho muito foda aquelas com frase, tipo “Deus na defesa e nóis memo no ataque” (sic). 

Através das camisas, a galera se expressa, cria uma parada que gosta e se identifica. Mas não é todo mundo que gosta (risos). 

Existe uma galera purista das camisas? 

Sim, geralmente são mais velhos, os coroas. Uma vez eu expus meu trampo ali no Beco do Batman, em São Paulo, e estávamos eu e meu parceiro encostados na parede, meio que olhando pras camisas, meio de longe, não dentro do stand. Aí passa um tiozinho que ia pro banheiro e comenta “pô, como que alguém pode fazer uma bosta dessas e estragar a camisa?” E saiu fora! 

Eu olhei para o meu parceiro e a gente começou a rir, isso só mostrou a mente quadrada do cara. Na minha opinião, acho que vale qualquer arte em cima da camisa, bonita ou feia, o importante é que você goste e se identifique. 

Arte em colaboração com @FutebolRabisko

Qual sua camisa favorita de todos os tempos? 

A do Rogério Ceni, usada na final de 2005 do mundial de clubes, toda pretona, com listras vermelha e branca no peito e o número 1 atrás. Inclusive na coleção que fotografamos no Estádio do Morumbi, tem duas que eu lancei em cima dessa camisa, inclusive com a frase que o Galvão Bueno falou quando ganhamos o mundial: “O mundo é seu, torcedor tricolor”. 

A homenagem da The Nine Customs para a camisa de 2005 e a conquista do Mundial

Falando sobre isso, essas camisas personalizadas são uma arte pra pendurar na parede ou pra usar no rolê? 

É tudo para usar, tem que ir pra rua! É para ser visto, usar uma obra de arte, para chegar em um lugar e a galera falar “caralho, o que é isso?” e ir falar com você, você vai estar diferente de todo mundo. Essa é a parada que eu acredito. 


ISMO
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