Sexo, drogas e pipocas
5 filmes e 1 série que caminharam para que Euphoria pudesse correr
No próximo domingo, 12/04, finalmente vai ao ar a terceira temporada de Euphoria, série da HBO que conta a história de jovens colegiais vivendo a vida adoidados. As primeiras temporadas, lançadas em 2019 e 2022, respectivamente, fizeram muito sucesso entre os jovens, principalmente os da Geração Z, que no período estavam passando por uma fase muito similar. O sucesso da série também foi responsável por alavancar nomes como o de Zendaya, Jacob Elordi, Sydney Sweeney e Hunter Schafer, para outro patamar, e hoje, toda essa galera está em produções hollywoodianas.
É até difícil definir as causas que promoveram o êxito da série, mas entre elas, definitivamente está a estética, na qual Sam Levinson escolhe trabalhar com película, um modelo que por si só entrega cores e texturas próprias do filme, e que por sua vez foram reproduzidas à exaustão em filtros nas redes sociais e até em outros filmes e séries de menor orçamento, mas sem a técnica original, claro.
Agora é a narrativa que pega, construída sobre as relações de jovens de classe média da Califórnia, que vivem entre festas, sexo, drogas e os conflitos da entrada na vida adulta. Relacionamentos conturbados em casa, amores tóxicos, descobertas em relação ao próprio corpo e à sexualidade, são a base de ingredientes para esse caldo que na dramaturgia se convencionou a chamarmos de “coming of age”.
Mas essa história não é novidade e a real é que toda geração, em alguma medida, teve um Euphoria para chamar de seu, cheia de personagens com que dividem os dramas, às vezes em maior escala, mas sempre com esse gostinho de juventude à flor da pele. Por isso, para te preparar para a tão aguardada terceira e última temporada, vão aqui algumas sugestões que caminharam para que Euphoria pudesse correr.

Skins - Bryan Elsley E Jamie Brittain (2007 - 2013)
No contexto das séries, poucas fizeram tanto barulho quanto Skins. Dividida por gerações, a série acompanhava diferentes grupos de adolescentes pela cidade de Bristol, na Inglaterra e, novamente, suas relações disfuncionais com famílias, amigos e parceiros sexuais. Por ser uma série, temas mais complexos puderam se desenvolver com mais calma e para muita gente foi o primeiro contato com tópicos como bullying, estresse pós-traumático, transtornos alimentares, entre outros. O casting também revelou grandes estrelas do cinema como Nicholas Hoult, Dev Patel e Daniel Kaluuya. Ah, se você assistiu Game of Thrones, boa parte do elenco também fez Skins em algum momento.

Aos Treze - Catherine Hardwicke (2003)
Os treze anos parecem ser a idade da rebeldia, a entrada oficial na adolescência. Nesse filme duas garotas querem provar ao mundo que são mais maduras do que a cara de criança mostra e entram num fluxo de abuso de drogas, sexo e roubos, tudo pela busca por aceitação. O louco desse filme é que uma das atrizes principais, a Nikki Reed, também foi roteirista, e o escreveu justamente quando tinha 13 anos, ou seja, as vivências ali realmente tinham algum fundamento. A trilha sonora é bem foda, e as atuações também, tanto que Nikki e Evan Rachel Wood receberam indicações à grandes prêmios pelo trabalho.

Réquiem Para Um Sonho - Darren Aronofsky (2000)
Agora de volta para Nova York, mais um para a lista de filmes pesados, esse é um drama psicológico que também aborda a adicção, mas que usa as drogas como analogia para outros tipos de vício. O filme acompanha as psicoses causadas por esses vícios, as desilusões e a degradação que cada personagem sofre para se satisfazer. A fotografia é bem foda, com uns close-ups bem fechados e cores absurdas, mas a edição, com vários cortes rápidos, cheia de informação, carrega o filme nas costas. Já adianto, é bem bad vibes, então escolha um bom dia para assistir.

Trainspotting - Danny Boyle (1996)
Outro clássico britânico, Trainspotting é inspirado em um livro com o mesmo nome, e foca no impacto da heroína entre os jovens da região de Edimburgo, na Escócia. Mark, interpretado pelo então jovem Ewan McGregor, é o personagem principal do grupo de amigos adictos que, entre tentativas de interromper o uso e recaídas, entram em conflitos bizarros, coisa de filme mesmo. Mas o interessante é que Trainspotting também funciona como uma crítica à crise econômica da União Europeia, a falta de perspectiva da juventude britânica e a crise global de saúde em meio a epidemia da Aids.

Kids - Larry Clark (1995)
Difícil não citar Kids, um clássico de estreia do diretor Larry Clark, que marcou toda a geração dos anos 1990, por registrar de forma muito crua a juventude de Nova York no período, mais especificamente a de quatro pré-adolescentes e seus rolês de skate, o uso de drogas e o sexo desprotegido. Apesar de ser uma ficção, o filme carrega muito do estilo documental de se filmar, até porque não há julgamento moral sobre as escolhas dos personagens, como se a câmera apenas observasse o caos que jovens sem supervisão conseguem viver e criar. Apesar da polêmica durante o lançamento, o filme sobreviveu a tudo e todos e hoje é considerado por muitos um clássico.

Eu, Christiane F. - 13 Anos, Drogada E Prostituída - Uli Edel (1981)
Para fechar, o mais antigo da lista e um dos primeiros a abordar o tema do abuso de drogas por crianças de um jeito muito impactante. Baseado na história real da alemã Christiane Felscherinow, o filme retrata a adolescente em suas vivências pelas ruas do lado ocidental de Berlim. Apaixonada por música, Christiane encontra nos clubs e nas drogas uma forma de escapar do tédio e da própria realidade depressiva, movimento que culmina na prostituição do próprio corpo. O filme ficou conhecido por ter a trilha musical assinada por David Bowie, que também aparece interpretando a ele mesmo, tocando justamente faixas da fase em que viveu na capital alemã.
A adolescência realmente é a fase das loucuras, mas depois de certa idade, o ideal é deixar para os personagens das ficções viverem la vida loca, e só ver os resultados dessas escolhas duvidosas pela tela da TV.