POUCO PRA ENTENDER, por JPEGO e WALTEREGOS

O novo EP colaborativo entre o produtor e o MC apresenta uma sonoridade com cara de ser um novo subgênero

POUCO PRA ENTENDER, por JPEGO e WALTEREGOS
Foto: @dzn.raw

POUCO PRA ENTENDER é o novo EP colaborativo de JPEGO e WALTEREGOS. Lançado na terça-feira passada, 18 de novembro, o projeto apresenta uma nova roupagem para o grime brasileiro, trazendo elementos de jazz e de funk e fortes influências dos desenhos noturnos dos anos 2000.

Ao longo das seis faixas que compõem o EP, WALTEREGOS rima sobre as suas vivências, com o seu jeito único de pegar no mic, e divide o espaço das tracks com as participações de AKA AFK, Teresa, L4Z4RO, Fingidor Amigável, Cassiel, Mug3n e Rob Malako.

A ideia do projeto surgiu como um set, com os beats de JPEGO guiando a parada. Com o passar do tempo e uma maior intensidade de rolês de grime no centro de São Paulo, especificamente no CR1A 011, casa da Bela Vista que vem se consolidando como o berço da cena de grime em SP, e que recebeu a festa de lançamento do projeto, ele se consolidou como esse EP.

A capa do projeto, desenhada por Caê, tem todos os envolvidos como personagens e cria uma representação do ambiente noturno do centro de São Paulo onde o projeto foi sendo idealizado. Troquei uma ideia com os dois para saber mais sobre os processos do disco no papo que segue aqui embaixo.

Capa de POUCO PRA ENTENDER, por @caesj_

Salve manos, queria começar falando sobre a construção do EP. Como surgiu a ideia dele e quais fatores foram essenciais para a sua construção?

WALTEREGOS: Inicialmente a gente fez um set com esses beats do Jota e com essas letras que eu tinha, no final de 2023, um ano antes da gente começar a ter essa vivência no CR1A. Até lá, eu nunca tinha tido essa vivência de set de grime, open mic, com o bagulho acontecendo. Eu via os gringos fazendo, via o Brasil Grime Show, já entendia qual era a dinâmica, mas eu nunca tinha vivido isso, ainda mais na intensidade que rola ali no CR1A — um monte de gente num espaço pequeno, todo mundo que gosta de grime e que entende o que está acontecendo, tá ligado?

Mesmo não sendo um lugar de pressão, as pessoas não vão ficar te cobrando se você for mal, mas tem essa autocobrança de você estar envolto de pessoas que consomem e que fazem aquilo.

JPEGO: É bem louco a gente pensar nesses momentos — antes e depois dessa vivência — porque eu lembro que quando a gente gravou esse set, a gente tocou cada beat sendo uma música e aí depois quando terminava a letra, trocava. Parecia muito mais uma audição do que um grime set de fato.

Eu lembro de rolar essa confusão na gravação, de ficar pensando “tá dahora, mas isso não é um grime set”. É dahora perceber a nossa evolução. Eu já colava nos rolês de grime, mas falo evolução nossa como dupla, como quem tá fazendo a parada, como quem tá ativo dentro da cultura. Muita coisa foi se agregando durante esse tempo.

Foto: @dzn.raw

WALTEREGOS: É isso, o EP começou de forma muito despretensiosa, e foi tomando forma de acordo com a vivência que a gente foi tendo ali nos rolês do CR1A, até porque muita coisa mudou no EP — todas as participações aconteceram por causa disso.

Os beats também mudaram durante esse processo de construção, e a gente acabou entendendo que o EP, mesmo que tenha sido construído antes, acabou sendo consequência dessa vivência que a gente teve durante a construção dele. É meio que um reflexo do que a gente tava vivendo ali.

Olhando um pouco para as letras, Walter, o que você diria que amarra o seu discurso ao longo das faixas? O que aparece ali na sua lírica?

WALTEREGOS: Eu encontrei uma estética nas coisas que eu já tinha escrito, então foi meio que fazer o match. Normalmente quando você ouve um beat e vai construir em cima dele, você é muito guiado — eu sou muito guiado pelo que eu entendo que o beat tá pedindo. Mas quando o processo é ao contrário, quando já tem uma letra e você encontra um beat que bate com ele, parece que o bagulho nasceu pra ser dessa forma. 

Durante o processo aconteceu muito isso. E teve momentos que eu tinha a letra, coloquei em cima de um beat e o Jota mudou a batida totalmente — esse processo de encaixe foi muito mais da parte do Jota do que da minha, tá ligado? Eu tava seguindo a métrica do grime, da música eletrônica, 4x4, tanto que dentro das músicas tem poucos momentos de mudanças de flow.

Pela minha experiência e minhas referências na época, de pessoas rimando em cima de música eletrônica, eram flows repetitivos que marcavam um tempo, muito mais do que propor flows diferentes — eu fui vendo esse bagulho, de propor flows diferentes dentro da música eletrônica, mais na vivência do CR1A mesmo, o Mug3n é um mano que faz isso muito bem.

Eu fazia os bagulhos muito “quadradinho”, então mesmo se fosse um beat diferente ia encaixar, ia bater, até porque é o que faz sentido nos sets — eu não sei o que vai vir, então eu tenho que ter uma estrutura ali que vai rolar o encaixe. 

Foto: @dzn.raw

E você acabou criando um jeito bem único de rimar, né? O que ajudou a construir essa identidade?

WALTEREGOS: Ah, eu fui roubando dos caras, né? Eu ia vendo nos sets como os caras faziam, até os gringos também. Tem um bagulho que o Bruno Kroz falou numa entrevista, se não me engano, que me pegou em algum momento dessa vivência de grime — ele falou que quando ele começou a ver o grime do Brasil, os caras rimavam rap, rimavam funk, e quando ele viu o grime lá de fora, os caras rimavam reggae, tá ligado? 

Eu comecei a ter essa noção, tanto quando eu comecei a ver os gringos, quanto nos sets, porque você acaba encontrando pessoas de diferentes vertentes que estão ali no open mic. Tem muita gente do dub, do reggae, que estão ali no open mic e eles vão pular no grime e o bagulho vai bater e vai ficar muito diferente. Então eu fui literalmente roubando.

Fui vendo os outros, fui aprendendo a impor a minha voz e tentar passar a energia que eu sentia ali no momento. E quando eu fui gravar as faixas do EP, eu já tinha aprendido a impor a minha voz dessa forma, tanto de passar essa energia, quanto de deixar mais swingada essa métrica quadrada.

JPEGO: Tem uma coisa que eu gosto muito no jeito do Walter rimar, é que ele não desperdiça linha e não economiza rima — muita rima rica, rima interna. Foi um bagulho que me chamou a atenção desde a primeira vez que eu ouvi um bagulho do Walter, e foi um dos motivos também de eu querer fazer um bagulho junto, isso é um bagulho que eu acho dahora.

WALTEREGOS: Essa parte da letra é muito da minha construção por causa do meu avô, que era poeta. Ele era de uma linhagem que é o parnasianismo, então tem muita regra, e ele me pegava nessas questões de contar sílaba poética, de saber o nome das construções de verso, essas fitas assim.

E aí quando eu me propus a escrever, eu tentava fazer isso — no começo de uma forma muito mais dura e depois de forma mais natural —, mas acho que isso faz muito parte da minha forma de escrever, de tentar preencher os espaços das palavras com rima.

Agora sobre a produção, Jota, o que foi essencial para a construção da sua identidade sonora? Lá em 2021 você já tava soltando uns grimes, numa época que pouca coisa acontecia, o que você ouvia nessa época?

JPEGO: Antes de produzir grime, eu já tava fuçando e dando meu jeito de produzir — boombap, ou seja lá o que fosse — porque eu sempre gostei muito de música, desde muito novo. Eu comecei a tocar violão quando era criança e sempre estudando por conta, e acho que minhas maiores referências sempre me chamaram muito a atenção por serem muito autênticas.

Tem uma parada, acho que é o Afrika Bambaataa, o Chico Science ou o D2 que falam isso, não lembro quem falou exatamente, mas sobre fazer uma música globalizada, mas que ainda seja local. Misturar tudo que você é, mesmo, e conseguir passar isso pro mundo inteiro. E aí quando eu cheguei no grime, eu já tinha outras referências.

Eu tinha muito esse preconceito com a música eletrônica, e conhecer o grime me fez querer estudar mais, chegar nas raízes, entender a importância da Jamaica, tá ligado? Quando eu comecei a fazer grime, principalmente por não ter acesso aos timbres — eu procurava, mas quebrei muito a cabeça pra achar alguma coisa que parecesse —, meu jeito de fazer grime, então, foi tentar descobrir, mesmo, misturando as referências que eu tinha.

E eu lembro que eu comecei a achar pessoas que faziam isso também — que era o grime, mas não era o grave estourando sempre, não era o grime clássico, por que é isso, é muito difícil a gente colocar o padrão do que é o grime.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção, que me fez querer fazer grime, é por entender que não existia um jeito certo de fazer. Essa liberdade de você estar dentro de um gênero, mas que você tem mil formas de fazer a mesma coisa, sabe? — JPEGO
Foto: @dzn.raw

Queria saber um pouco das referências de vocês dentro do grime, e um pouco sobre a estética que guia o EP como um todo. Como vocês definiriam a estética de Pouco Pra Entender?

WALTEREGOS: As minhas referências de grime, sinceramente, são muito brasileiras, e muito os meus amigos mesmo — Cassiel, Rob Malako, L4Z4RO, Mug3n —, os moleques ali do RAGGACLUBBERZ acabam sendo a minha referência, mesmo. Bruno Kroz, AKA AFK, que tá no EP com a gente, também são referências pra mim. 

Quando eu conheci o grime e fui buscar entender, eu consumia bastante lá de fora, só que eu nunca fui muito atrás de ouvir um cara em específico. Ouvia os sons, mas não me apegava muito a quem eram os artistas, porque eu acabava ouvindo sets ou playlists, e ficava rodando um monte de gente.

Sobre a estética do EP, a gente passa por gêneros e vertentes diferentes em momentos diferentes, mas tem um bagulho que foi a grande virada pra mim, pelo menos, em relação à estética, que foi quando o Jota fez o beat de "LINHAS E LINHAS", que eu falei: "mano, isso aqui tá diferente de fato, nunca ouvi parecido”.

Visuais: @laudaconceicaoo

JPEGO: Se fosse pra colocar em alguma caixa, eu tentaria falar que é grime brasileiro. Fazendo, não foi uma coisa intencional fazer uma “parada nova”, isso acabou sendo consequência dessa experimentação toda — ao longo do processo, tiveram muitas mudanças, a maioria das músicas começaram em um beat diferente, a não ser "A PAMPA" e "BOTA FÉ". “A PAMPA” ainda teve algumas mudanças, inseri alguns elementos novos, veio a Teresa, que pra mim ela é o essencial da música. 

Tinham muitos beats que estavam indo pra um lugar que eu não gostaria de ir, sabe? Tava muito mais com uma cara de chill baile do que com uma cara de grime. Eu queria que fosse grime, queria que tivesse ali alguns elementos que remetessem à coisa do jazz — talvez um pouco sofisticado, mas não muito também. Mas não queria que fosse uma coisa só fofa, que é muito o que o chill funk tem, a coisa do lo-fi e tal, que acho que foi colocado dentro da mesma caixa, mas de um jeito não muito da hora — de associarem elementos de jazz a cenários melancólicos, tristes ou sofisticados, e não era esse lugar que eu queria chegar.

“FODA-SE O ONTEM” era um grime, tinha uma cadência de grime, mas tinha muita coisa que parecia um chill funk. "RUDEBWOY" era uma música que era um garage fofo, meio pop, sabe? Tava tudo ali, as pessoas estavam ali, mas eu acho que o cenário que a gente vivia, principalmente ali do CR1A, não conversava muito com aquilo, e aí eu fui mudando aos poucos.

WALTEREGOS: É, o Jota fez pelo menos uns quatro beats para cada música, mano. Passava duas semanas, ele mostrava três beats diferentes. O menino não para, corredor, multiatleta (risos).

Foto: @dzn.raw

Vocês comentaram sobre a importância dos rolês de grime, do CR1A, na construção do disco, queria aprofundar um pouco mais nisso. Quais aspectos dessa vivência dos rolês de grime influenciaram no resultado final do projeto?

WALTEREGOS: Eu aprendi fazendo, foi meio que a prática até mesmo antes da teoria. Eu fui atrás da teoria porque a prática tava me consumindo, eu tava fazendo parte, vivendo o bagulho, então eu sentia que eu precisava saber mais pra conseguir fazer direito. Eu vejo o grime, como movimento, e entendo que ele é a expressão do hip hop de Londres, assim como eu entendo que o funk é a expressão do hip hop brasileiro, é a consequência de um movimento social. 

Como cena, aqui das pessoas de São Paulo, foi muito feliz pra mim, reviveu uma vontade de fazer, de encontrar pessoas que estavam com a mesma fome que eu que eu já tive em outros momentos. Eu senti essa fome de novo, e pessoas que tinham o mesmo brilho no olho que eu de fazer e consumir. Eu me encontrei como parte de um bagulho, de novo, ali na cena do grime underground aqui de São Paulo, me senti parte desse movimento.

JPEGO: Muita coisa mudou, é claro que a forma de fazer grime também foi mudando, aprendendo, evoluindo. Eu colava muito nos rolês antes e sentia esse afastamento, do público com quem tava organizando o rolê, existia isso. Acho que principalmente depois do Terra à Vista, RAGGACLUBBERZ, o CR1A também, muita coisa mudou no sentido de horizontalidade — tá todo mundo ali, quem tá tocando, tá trocando ideia com nós.

Eu também sempre fui muito tímido, e esse distanciamento deixou de existir ali no CR1A, quando eu vi todo mundo ali com o mesmo brilho no olho, uma roda no chão e todo mundo ali com a mesma fome, eu tava muito feliz. Eu tinha vivido grandes rolês de grime já, mas eu nunca tinha presenciado dessa forma, todo mundo muito aberto para trocar a ideia e grime, mesmo, sabe?

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Visuais: @laudaconceicaoo

Acho que o que mudou na minha vida, talvez nem antes ou depois dos rolês de grime, mas antes ou depois do CR1A, mesmo, é essa proximidade e intimidade, fiz amigos ali também. E realmente ver ali como uma cena — antes eu via como uma cena, mas não como uma coisa orgânica —, tipo, tô vendo as pessoas, tá ligado? Não é muito distante, tem moleque mais novo que eu, tem gente da quebrada aqui também, tem gente de várias quebradas aqui, e tá todo mundo fazendo o bagulho pela vontade de fazer o bagulho mesmo.

Acho que me ver inserido dentro desse movimento me deixa também um pouco aliviado, sabe? É dahora. Estamos fazendo isso todo mundo junto, não é só uma ou duas pessoas.

E nesse sentido, vamos falar um pouco das participações do disco. Qual a importância de cada uma delas?

JPEGO: Eu acho que isso também acaba sendo um reflexo disso que a gente vive, com certeza. O primeiro feat que a gente gravou foi o L4Z4RO. Não lembro por que a gente pensou na possibilidade do feat, acho que o Walter repetia a letra — os beats antigos eram muito mais longos, e quando ele gravou, ele gravou repetindo.

Eu acho que só existiu algum momento que a gente falou: "mano, acho que faz mais sentido ser uma parada com mais pessoas do que só nós dois”, principalmente por estar colando e ver que tem mais pessoas.

WALTEREGOS: Ainda mais quando a gente gravou o set, tava ficando muito repetido. A primeira pessoa que a gente chamou foi o L4Z4RO, mais por proximidade mesmo. Na primeira vez que eu e o Jota fomos juntos pra um rolê, o L4Z4RO foi a pessoa que eu troquei ideia, que eu vi que o Jota também tinha mais proximidade. Essa faixa, "LINHAS E LINHAS", vem de um lugar de revolta, tá ligado? E o L4Z4RO tem muito disso nas letras dele, na forma dele se colocar quando ele tá rimando. 

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JPEGO: O L4Z4RO também é uma dessas pessoas que eu tava ouvindo naquele momento quando eu tava entendendo o que era grime. Ele cantava uns bagulhos de revolta, muito inteligente, várias coisas que eu nem sabia, e a gente começou a ter uma relação, ele já teve uma banda de hardcore, e teve uma vez que ele cantou no festival de um mano da banda que eu tocava. Muito dahora pensar nesses dois momentos.

WALTEREGOS: A segunda pessoa que a gente chamou foi o F.A. para "RUDEBWOY". Era a minha letra que mais pegou a galera — eu lembro no começo dos sets, quando eu puxava essa, a galera já vinha junto, foi a primeira que eu senti uma repercussão.

E é isso, né? Acho que toda a seleção, tirando o AKA AFK, que eu não tinha tanta proximidade, foi por conveniência mesmo, por proximidade. A gente foi pensando e os nomes vieram muito fácil. Tanto o F.A. quanto o L4Z4RO, eles meio que deram continuidade ao refrão que eu propunha, só que na versão deles.

Acho que o mais pensado, em relação às participações foi o da Teresa, "A PAMPA" não tinha a parte dela. Eu tava ouvindo com um parceiro meu, e aí ele deu a ideia: “e se tivesse uma parte melódica nesse som?”

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Visuais: @laudaconceicaoo

JPEGO: E ficou muito bom para a música ter uma cara de música, mesmo, porque antes ela era um loop, e depois entrou a Teresa e isso também sugeriu outros elementos melódicos. Essa participação, em específico, determinou muita coisa para a música da forma que ela tá.

"BOTA FÉ" também foi um resultado muito dahora, porque eu sabia a proximidade com religião do AFK, mas nunca foi uma ideia que a gente trocou a fundo, e é um beat que fala isso, é um ponto de macumba. E a letra do Walter é muito dahora, eu acho que ela fala muito sobre fé de várias formas, mas não tinha necessariamente uma relação direta com sample. Aí eu dei um salve no AFK, eu já consumia muito o trabalho dele, mandei esse beat pra ele e ele pulou na hora.

Visuais: @laudaconceicaoo

Quando ele mandou a voz dele gravada, eu desacreditei. Foi muito rápido e fez muito sentido com a música. No geral, eu acho que todos os feats são como se fosse um checkpoint do joguinho, tá ligado? Foi entrando uma pessoa, foi adicionando isso. Acho que o mais especial, pra mim pelo menos, é a "RAGGACLUBBERZ", principalmente pelo significado de ter muita gente ali na track.

E eu acho que foi o mais pensado, também, porque em alguns momentos trocando ideia com o Walter, ele falou: "mano, se a gente vai ter participações, eu quero muito que tenha os moleques, porque eles são meus professores, querendo ou não, então, tem que ter uma música com eles.”

WALTEREGOS: Eu fiz questão de que tivesse, porque era importante para mim, e eu acho que é um marco do momento, de tudo que a gente viveu ali, era uma representação do RAGGACLUBBERZ também no EP. Achei que era importante ter.

Eu chamei os moleques e rolou muita coisa antes da música acontecer de fato. O Rob foi o primeiro a escrever, mesmo sendo o último a gravar, tanto é que eu nem tinha escrito a minha parte ainda. Eu já sabia umas partes e me baseei na dele para escrever. 

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Visuais: @laudaconceicaoo

Vocês soltaram também uns vídeos falando sobre o processo de algumas faixas, né? Achei isso muito legal e acrescentou bastante na construção da identidade do projeto. Como surgiu essa ideia?

JPEGO: Eu acho que isso apareceu mais como uma solução de um problema do que uma ideia. Porque a gente gravou dois clipes, e eu gosto muito deles, mas a gente não tinha feito um visualizer pra divulgar, ou alguma coisa que puxasse as pessoas. 

Então a gente pensou em fazer isso até mesmo como forma de divulgação do trabalho, tá ligado? Quem tá de fora e não tá entendendo que a gente tá fazendo um EP, de repente vê nós dois trocando ideia sobre alguma coisa, eu acho diferente ter isso no Instagram.

Eu acho meio longo, foi uma preocupação nossa, de estar muito longo, mas eu acho que é isso. Quem quiser ver vai ver, quem não quiser não vai, ou de repente pode se interessar. No final, é nós dois trocando ideia e não tem uma pressão de comprar esse roteiro, sabe? 

A gente já gravou os das outras músicas, estamos no planejamento pra soltar. E tem alguns outros pontos também que acho que é da hora trazer, tipo todo o visual. 

A questão dos personagens, voltando pra aquele momento que a gente sentou e se perguntou: “ei, mano, qual que é o conceito disso?”, uma coisa que fez muito sentido ali foi essa referência de desenho infantil noturno — que tem o personagem principal ali, mas tem todo o cenário de amigos e personagens próximos, tem a questão do cenário de noite, a coisa do jazz também. 

Contracapa de POUCO PRA ENTENDER, por @caesj_

Acho que o Arnold traz muito isso, tá ligado? Eu meio que já trouxe uma coisa falando da outra, porque é isso, tem os recortes ali no começo e no final do EP e tem os personagens ali na capa que eu acho que remetem muito a esse universo — o jazz, a melancolia. Acho que é a gente falando sobre o que a gente vive à noite nos rolês, o que a gente gosta. Se divertir, querendo ou não, também envolve liberdade.

Eu às vezes, quando penso nessa liberdade e nessa coisa de juventude, também tem uma melancolia que tá meio que acompanhando tudo isso. E eu acho que tudo isso tá muito presente no Arnold, tem um certo mistério ali, mas também tá falando de adolescente querendo aprontar na rua. Então acho que isso também é um ponto dahora, sem contar que é mó dahora cada um ter o seu personagem ali desenhado pelo Câe. 

Foto: @dzn.raw

WALTEREGOS: Aproveitando que foi mencionada essa capa, eu acho ela muito foda. O nosso parceiro Caê que fez, ele é um artista incrível, vale muito a pena conhecer o trampo dele, um artista foda.

Quando a gente tava falando sobre sobre a identidade visual, ele foi um mano que veio fácil na minha cabeça, porque é isso, né? Ele faz essas personas, é a marca dele, mas é sempre um personagem diferente, e ele pegou cada um dos participantes e colocou nesse formato dele, construiu a cidade, tem vários detalhezinhos na capa. O bagulho ficou muito dahora, deu uma cara muito única assim pro projeto.

JPEGO: Eu acho que também reflete tudo que a gente falou, pensando em coletividade, tem todo mundo na capa. O EP não seria o mesmo se nenhuma das pessoas que estão ali não estivessem. Seja o Caê, seja a Lau fazendo o clipe com a gente, muitas pessoas originais envolvidas com muitas ideias únicas — a gente foi gravar o clipe com a Lau e ela com várias ideias muito diferentes de enquadramento no metrô, que eu acho que foi essencial para todo mundo olhar para "LINHAS E LINHAS" da forma que olhou.

Ouça POUCO PRA ENTENDER, já disponível nas plataformas digitais


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