10 filmes brasileiros que marcaram 2025

O cinema nacional foi, mais uma vez, gigante em 2025

10 filmes brasileiros que marcaram 2025

Como bem diz Sophia Chablau: “O cinema brasileiro é foda pra caralho”, e isso a gente já sabe há muito tempo. Mas há de se admitir que os últimos anos fizeram um bem danado para a camada mais mainstream, e o grande catalisador disso tudo foi o sucesso de Ainda Estou Aqui. O longa de Walter Salles emocionou plateias internacionais e na rabeta operou um milagre por aqui, lotando salas de cinema e trazendo de volta uma galera que não só parecia distante desse espaço, como pouco ia pra ver filmes nacionais. 

Claro que existe uma discussão sobre a valorização internacional chancelar qualidade para justificar a ida de parte do público, além de todo o investimento e promoção do filme, mas para mim esse fenômeno também prova que o público tem vontade de se ver representado em narrativas fortes e populares.

Já falei aqui como isso contribui para o aumento da autoestima nacional e, em 2025, a safra de filmes reflete essa confiança, com obras que transitaram entre o cinema de gênero, o resgate biográfico e o experimentalismo visual. Então, decidi listar 10 produções que se destacaram no ano, sem ordem nenhuma. 

O Agente Secreto - Kleber Mendonça Filho

Nosso representante do Oscar e vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator em Cannes, é um thriller político ambientado no final dos anos 70. Com Wagner Moura mais uma vez entregando muito na atuação, o filme explora o aparato de repressão e vigilância estatal e o clima sufocante do Recife pré redemocratização. Um filme que dialoga muito com o presente e contribui para reafirmar Kleber Mendonça como um dos principais nomes de sua geração. Corre que ainda dá pra ver no cinema e vale muito a pena porque o som e a direção de arte brilham muito numa tela grande e num bom som.

Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa - Cristiano Metri

Os filmes live-action da Turma da Mônica são todos muito bons, Laços (2019) e Lições (2021) mostraram que o universo de Maurício de Souza realmente venceu a prova do tempo, reunindo crianças e adultos em salas de cinema. E aí que em 2025 foi a vez do Chico Bento ganhar sua versão de carne e osso, e particularmente esse é meu filme favorito do Monicaverso. Claro, é um filme infantil, mas também é uma ode à cultura caipira e a pureza das crianças. O elenco é mega carismático, a narrativa é redondinha, e a sensação que o filme deixa é a de que é super possível produzir filmes famíliares com técnica e um bom senso de brasilidade.

Oeste Outra Vez - Erico Rassi

Melhor filme do festival de gramado no ano passado, Oeste Outra Vez pode ser resumido como um faroeste goiano, que explora os traços complexos da masculinidade e do isolamento geográfico brasileiro. Babu e Ângelo Antônio atuam muito nesse filme digno dos clássicos westerns, até porque, o centro-oeste brasileiro ainda se parece muito com o representado pelos filmes de Sergio Leone, por exemplo. É daqueles filmes contemplativos, mas de uma força bruta animal, e que confirma o vigor das produções que nascem fora do eixo Rio-São Paulo.

Malês - Antonio Pitanga

Aos 86 anos, o mestre Antônio Pitanga entrega um épico que reconta a Revolta dos Malês — a maior rebelião de escravizados da história das Américas — a partir da micro história de dois jovens mulçumanos escravizados. Daqueles filmes que provavelmente vão fazer parte do material didático das aulas de História nos próximos anos, celebrando a resistência negra e a articulação da galera que lutou pela liberdade na Salvador de 1835.

O Último Azul - Gabriel Mascaro

Mais um filme premiado internacionalmente, dessa vez com o Urso de Prata do Festival de Berlim, O Último Azul é mais um trabalho em que Mascaro brinca com as formas de construir uma narrativa, além de fazer isso com uma estética bem saturada e marcante, o que ele já explorou em filmes anteriores como Boi Neon (2015) e Divino Amor (2019). Nesse último trabalho, uma ficção científica sobre um mundo distópico onde idosos são transferidos para colônias em ambientes remotos. O filme constrói uma atmosfera sensorial muito bonita, e toca em temas pouco abordados no cinema contemporâneo, como o etarismo.

Homem com H - Esmir Filho

Primeira biografia da lista, o filme conta a história do ícone Ney Matogrosso de um jeito raro, evitando muitos clichês do gênero e optando por entregar um retrato visceral da transgressão e da arte. Jesuíta Barbosa manda muito bem ao encarnar a personalidade camaleônica de Ney, desde os tempos de Secos & Molhados até a carreira solo. Visualmente o filme também brilha muito, e consegue capturar a essência de um artista que sempre esteve à frente do seu tempo e que desafiou as normas de gênero e da performance no Brasil.

Luiz Melodia – No Coração do Brasil - Alessandra Dorgan

Outra biografia, agora um documentário, como já diz no título, apresenta a vida e a obra do cantor Luiz Melodia. Particularmente, como fã da obra do Poeta da Estácio, fiquei bem emocionado quando anunciaram o filme. Alessandra foi muito feliz nas escolhas que fez para traduzir em imagem, a trajetória e a rebeldia de Melodia. O filme é uma montagem muito bem feita de arquivos raros e depoimentos que contextualizam a importância do “Perola Negra” na MPB. Um registro essencial sobre a melancolia e o balanço de um dos nossos maiores gênios.

Manas - Marianna Brennand

Depois de Cannes e Berlim, agora um filme premiado em Veneza. Manas é um socão no estômago, mas daqueles que você agradece por ter tomado. Manas se passa na Ilha do Marajó, e aborda o ciclo de violência e exploração sexual de mulheres e crianças. Brennand consegue trabalhar com esse tema tão pesado de um jeito muito sensível, fugindo do sensacionalismo, e optando por uma direção que olha mais para a intimidade e a força das personagens femininas. É um cinema de denúncia que não abre mão da estética e da beleza.

A Melhor Mãe do Mundo - Anna Muylaert

O último filme de uma das mais prolíficas diretoras brasileiras, volta a olhar para um território que ela domina muito bem, que é o das dinâmicas famíliares e das questões de classe. Sob a ótica de uma personagem feminina, uma catadora, Anna discute maternidade, violência, e a invisibilidade que uma grande parcela da sociedade sofre, principalmente em São Paulo. O filme também é a estreia de Luedji Luna como atriz em um longa-metragem, em um ano que ela conquistou muito na música.

Iracema: Uma Transa Amazônica (Relançamento remasterizado) - Jorge Bodanzky e Orlando Senna

Esse não é um lançamento inédito, mas a celebração dos 50 anos de um clássico que voltou aos cinemas em cópia remasterizada, em 4k, daquele jeito que os cinéfilos gostam. O filme mescla documentário e ficção para denunciar a destruição da Amazônia e a exploração durante a ditadura militar, temas que, como já disse no primeiro filme da lista, ainda são muito atuais. Reassistir Iracema hoje, restaurado bonitão, é um lembrete do poder do cinema como testemunho histórico e ferramenta de combate.


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