Robert Venosa, Cynic e artes em LSD

As artes que marcaram a banda de Death metal técnico eram uma doidera - e a gente adora isso

Robert Venosa, Cynic e artes em LSD

Nesse começo de 2026, o Cynic, banda de Death metal técnico dos Estados Unidos, vem para mais uma série de shows na América Latina. No Brasil, eles passam por São Paulo no dia 16.

A banda é conhecida por ter um metal extremo com requintes de técnica e de melodias mais afloradas, com seções com vocais limpos e guitarras sem distorção entre suas músicas. O trabalho de Paul Masvidal, líder, guitarrista e vocalista da banda, hoje pode ser visto como um belo compilado de passeios entre o brutal e o belo, deixando a técnica falar mais alto. Isso também diz respeito às letras da banda que, contrário a outros contemporâneos do gênero que falavam de capetas e mutilação, o Cynic trazia reflexões filosóficas, viagens astrofísicas, espaço sideral e tudo mais que podia conter em um caminho de auto-conhecimento e expansão da mente.

Para envelopar tudo isso, Paul Masvidal apostou alto e chamou um artista que era um de seus favoritos: Robert Venosa. Paul conta que colecionava cartões postais de Robert, que comprava em uma loja esotérica em Miami e era fascinado pelo trabalho do artista. "Eram mundos alienígenas tão lindos, fiquei conectado por esses mundos quando era bem jovem", Paul comenta em entrevista para a Metal Injection.

Paul fala sobre Robert Venosa

Robert Venosa é um artista responsável por um realismo fantástico impressionante. Sua obra abrange geometria sagrado, misticismo comparativo e pesquisas sobre estados alterados de consciência. Venosa reconhece o uso de Ahayuasca e LSD na concepção e desenvolvimento de sua arte, usados de formas controladas e intencionais, criando mapas esotéricos de consciência, que ressoavam com pessoas que buscavam essa consciência elevada a um plano mais cósmico.

Se você olhar para as obras hoje, com a técnica que temos de computação, IAs e afins, é difícil imaginar que tudo aquilo foi feito à mão, em pintura a óleo, com técnicas refinadas de pintura. Robert Venosa inspirou toda uma geração de novos artistas que criavam esse realismo.

De uma conexão fácil e rápida, Robert se tornou o principal artista a estampar as artes do Cynic, dando ainda mais o aspecto extra-sensorial e espacial que a banda trazia em riffs e letras. Venosa se tornou um amigo, um mentor e, de um livro saiu uma capa pro primeiro álbum da banda - o artista também é o responsável pelo logo da banda. O Cynic se tornou a banda com a qual Robert Venosa mais trabalharia sua vida toda.

A arte de Focus, primeiro álbum da banda, chamava-se Angelic Manifestation
"Foi uma honra ter a possibilidade de atrelar nosso trabalho ao dele. Para nós, Robert Venosa era como um mestre, humilde e sua arte mudou nossa vida. Quanto mais eu emergia no trabalho dele, mais eu queria fazer música que soava como os quadros que ele pintava" - Paul Masvidal

O Cynic tem quatro álbuns de estúdio, com todas as capas feitas por Robert Venosa. Se você olhar para as obras hoje, com a técnica que temos de computação, IAs e afins, é difícil imaginar que tudo aquilo foi feito à mão, em pintura a óleo, com técnicas refinadas de pintura. Robert Venosa inspirou toda uma geração de novos artistas que criavam esse realismo fantástico e influenciou também o mundo do metal com sua imagem nos álbuns do Cynic.

A banda se apresenta dia 16 de janeiro em São Paulo e vem acompanhada de Imperial Triumphant. Ingressos aqui


Outros trabalhos além do Cynic

Robert Venosa era um diretor comercial de arte para a Columbia Records e seu trabalho pode ser visto em livros e outros álbuns. A revista OMNI, importante no ramo de ciências e ficção científica no século XX, também foi um local onde sua arte teve grande morada. 

Um de seus trabalhos mais reconhecidos fora do Cynic foi na logotipia e design da capa de Abraxas, de Carlos Santana, com arte da capa de Mati Klarwein, em 1971.

Mais tarde, em 1978, Venosa cria a capa para mais um álbum solo do Santana, Silver Dreams, Golden Reality. Ele também cria o logo da gravadora Guts and Grace, do guitarrista. 

Robert Venosa trabalhou em outros projetos musicais, como Kitaro, Psychedelic Prayers, Masao Maki, entre outros. O artista faleceu em 2011, com 75 anos, vítima de um câncer. 


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