Niorq explora a sua versatilidade e resgata as origens em T.P.S.J

O primeiro disco de estúdio do rapper chegou carregado de referências diversas

Niorq explora a sua versatilidade e resgata as origens em T.P.S.J

Ontem, 20 de fevereiro, foi ao ar T.P.S.J (Tudo Palmeado Segue o Jogo), primeiro álbum de estúdio de Niorq, rapper paraense que reside em Florianópolis e constrói, ao lado de Fungi e Caneta, a Subsolo, coletivo de grime que movimenta o gênero na ilha.

Com uma trajetória já consolidada no grime, Niorq enxerga nesse projeto uma oportunidade de expandir os horizontes e mostrar as outras referências que compõem a sua pesquisa.

"Não ter só essa prateleira do grime, porque antes disso eu já era rapper — se eu tou em casa, se eu não tô pesquisando algo pra botar no set, eu tô ouvindo um boombap." — Niorq
Capa de T.P.S.J

O disco foi produzido por Pizzol e conta com beats e participações de Ibejiz, Fleezus, Zilks, Zunyn, Vidal, QSATIRO, Fungi, Nnay Beats e CESRV, em faixas que se constroem com referências de gêneros como dub, boombap, UK garage, grime, afrobeats, dembow e house.

Niorq conta que olhou para as suas origens paraenses para encontrar a inspiração que amarraria o projeto, que chega num momento de virada em sua carreira: "eu precisava desse trampo — um trampo consistente, de estúdio. Da gente pensar desde os samples, nas texturas do disco. Fui buscar referência lá do Pará, resgatando as minhas raízes, e de alguma forma, trazer isso pra cá."

Contracapa de T.P.S.J

O nome do disco é praticamente auto-explicativo, e representa a vontade do rapper de conquistar novos territórios, uma vez que já conseguiu consolidar o seu espaço na cena local com o trabalho da Subsolo.

"Aqui no meu estado já tá tudo palmeado, e é hora de seguir o jogo, porque tem várias pessoas que fazem o que a gente faz em outros lugares. Aqui na cidade, a galera já conhece, meio que já não é mais novidade, e as pessoas de fora tão tipo: 'vamos somar, vamos fazer acontecer.'" — Niorq

O grime aparece em T.P.S.J na estética e em elementos das músicas, mas não de fato nas faixas. A ideia foi apresentar novas sonoridades — como no feat com o Fleezus, por exemplo, que seria de se imaginar um grime, mas que acabou virando um boombap.

Fato é que Niorq apresentou um projeto que chega para se diferenciar dos seus discos anteriores — mais experimentais e viscerais — e profissionalizar o seu trabalho, se inserindo no mercado musical a nível nacional.

"Vários manos vieram do Pará pra Santa Catarina atrás do sonho de fazer um som e viver de música — vários amigos que já foram embora, que voltaram pelas dificuldades. Só de eu estar aqui, fazendo isso, pra mim já é uma vitória." — Niorq

Ouça T.P.S.J, já disponível nas plataformas digitais


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