Kohjiro Kinno é o cara da fotografia esportiva

Entre registros tradicionais, o fotografo norte-americano consegue imprimir a própria identidade

Kohjiro Kinno é o cara da fotografia esportiva

Os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina chegaram ao fim, e a sensação que fica é de que a edição foi bem mais especial que as anteriores, muito pelo foco e impacto que as mídias tiveram nos esportes e nas narrativas. Para nós brasileiros, as coberturas de canais como Cazé TV e GETV ajudaram a democratizar o acesso a esses esportes com os quais temos pouquíssimo contato, e a medalha inédita do Lucas Pinheiro também contribuiu muito para que uma parte dos fãs de esporte acompanhasse essa edição.

Nas redes sociais, campanhas como da esquiadora chinesa Eileen Feng Gu, que se tornou a atleta mais condecorada da modalidade, ou a energia jovem da patinadora estadunidense Alysa Liu, que chamou muita atenção pelo seu cabelo descolorido e piercing no smile, incomuns em atletas, alimentaram o feed durante todo o evento.

Durante pouco mais de duas semanas, as lentes do mundo foram apontadas para a Itália, registrando cenas impressionantes. Era gente descendo montanha a 80km/h, saltando mais de 100m num esqui, girando 1980º no snowboarding, enfim, as imagens registradas sempre são legais de ver. Mas um cara que se destacou como fotógrafo foi o Kohjiro Kinno, não pelas fotos de performance mas pela grandiosidade que conseguiu transmitir em cada clique.

Não consigo imaginar quantos fotógrafos são enviados para eventos esportivos da magnitude dos Jogos Olímpicos, e todos com uma missão muito clara: fazer os melhores registros possíveis dos atletas e das competições. Acontece que nesse contexto, como você se destaca? Parece que o Kohjiro entendeu que não precisaria ser mais um a registrar as provas em si, e decidiu capturar outros elementos, todos presentes nos Jogos, claro, mas saindo do campo do registro e entrando no campo da arte.

A fotografia é um daqueles elementos que nasceu na modernidade como advento tecnológico para gravar momentos. Só com o tempo fomos entendendo que era possível quebrar essa lógica e produzir arte a partir da ferramenta. E Kohjiro parece levar isso bem a sério. 

Nascido e criado em Los Angeles, conheceu a fotografia ainda na adolescência através do skate, já que a cena local fervilhava e como qualquer pessoa que entra na cultura, acabou se conectando com os hábitos de filmar e fotografar a própria crew. Anos depois, a fotografia virou ganha pão, mais especificamente a fotografia esportiva, principalmente com trabalhos pela Sports Illustrated, uma das principais revistas de esportes dos Estados Unidos.

Conheci seu nome durante as Olimpíadas de Paris, em 2024, mais especificamente quando a foto de uma quadra de tênis me apareceu no explorar do Instagram. A miniatura já chamou a atenção porque eu não conseguia entender direito o que era, mas queria ver mais. Abri o perfil e, a partir dessa foto, comecei a acompanhar as competições e todos os trabalhos seguintes.

É curioso ver como, mesmo clicando esportes mais tradicionais, Kohjiro consegue quebrar algumas regras da fotografia esportiva para criar um canal de comunicação entre o atleta e quem está assistindo, quase como um tradutor de uma conversa que acontece na cabeça do praticante de esporte ou do time como um todo. Em entrevista, ele diz que desde o colégio se interessava por diferentes artes visuais, consumia o trabalho de fotógrafos de moda como Richard Avedon e Irving Penn, os cliques surrealistas dos dioramas de Hiroshi Sugimoto, até pintores consagrados como Cy Twombly, Mark Rothko e Gustav Klimt.

Essa bagagem de referências artísticas o alimentou de modo que sua fotografia sim, cumpre o papel profissional de registrar as cenas dos esportes, mas também o permitiu experimentar novas composições, ângulos, tempos e cores. Nos últimos anos, Kohjiro se dedicou à fotografia de golf e tênis, principalmente, mas nenhum esporte parece ser um campo distante demais para ele. Quadras de basquete, tatames de judô, tablados de esgrima, ou até um estúdio fechado com atletas de seleções olímpicas são transformadas em telas. 

Se você ainda não conhecia o trabalho de Kohjiro Kinno ou não curtia muito o formato quadrado de fotografias de esporte, vale muito a pena dar uma olhada na visão única deste artista.


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