A DNBB e seu amor eterno pelo Drum'n'Bass

Um papo com Aaron Mello sobre a gravadora brasileira que conta com um catálogo vasto e não se resume só a um gênero - mas tem a música eletrônica em toda sua veia criativa

A DNBB e seu amor eterno pelo Drum'n'Bass

A alta do Drum’n’Bass brasileiro, gênero que misturou o Drum’n’Bass com Samba, MPB e Bossa Nova, se deu no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, mas da mesma forma que foi muito forte, teve uma queda brusca de popularidade logo depois de seu ápice. 

Mas existem pessoas e gravadoras que continuam com o legado do gênero e o levam ainda mais longe até hoje. É o caso da DNBB Music Group, do Aaron Mello, produtor e DJ, que junto da Vera Medina, Marnel Salles, Ramilson Maia, Roger Jordan, Keyla Macedo entre outros personagens da industria fonográfica, tem um trabalho de lançar e gerenciar artistas de diversos estilos, incluindo o Brazilian Drum’n’Bass. 

Aaron, Ramilson Maia e Drumagick

Tudo bem, aqui na ISMO a gente está fazendo uma série de reportagens sobre o gênero, mas vale falar que a DNBB Music Group vai além e tem no seu catálogo desde rap até MPB, passando por diversas vertentes do eletrônico, mas tem no Drum’n’Bass Brasileiro a sua casa - até mesmo no nome, a abreviação do gênero. 

Para o Aaron, o Drum’n’Bass é algo da vida. “Conheci o Drum’n’Bass na adolescência, mas era difícil conhecer música, hoje você escolhe o som, mas naquela época, anos 90, a música escolhia você”. Seu primeiro contato com o gênero foi através do Jungle, com amigos, mas não foi atraído de primeira. “Fiquei um pouco conturbado com o bpm alto, foi estranho pra mim - até que um dia escutei um Drum’n’Bass mais conciso, pelo menos na minha cabeça”. Depois disso, o gosto virou obsessão e com as idas às festas do The Bass, do Dj Marnel, Aaron ficou ainda mais viciado. 

Depois de morar um tempo na Europa, Aaron descobriu um Drum’n’Bass Europeu mais comercial, tendo programas próprios nas rádios e quadros em programas de TV que eram dedicados ao gênero. “Eu trabalhava na semana e no fim de semana era só rolê de Drum’n’Bass - e aí estando lá, eu me envolvi com o gênero no Brasil através do Orkut, em uma comunidade chamada Drum’n’Bass Brasil”. Nessa comunidade, a galera produzia seus próprios sons e trocava ideias e produções nas páginas. “Nessas eu conheci o DJ Nine, que tem um programa chamado SubGrave, do Dj Andy, que foi herdada pelo Nine, numa rádio em São Paulo, que era o coringa do gênero, representando o Drum’n’Bass nos programas por aí”. 

Aaron começou a fazer música e trocar com essa galera, chegando até a tocar nas rádios as produções caseiras, mas morando na Europa ainda, conseguia entregar para produtores gringos nas festas. “Eu tinha essa vantagem, queimava um CD virgem e ia na festa entregar pra outros DJs falando que era produtor - obviamente ouvi muitos ‘nãos’ e vi os CDs jogados fora, o que era muito natural na época”. 

Na volta para o Brasil, em meados de 2010, Aaron encontrou um Drum’n’Bass em recessão e achou nos grupos de Orkut a forma de conhecer novos lançamentos e fazer compilações de novos produtores. “O Deiver e o Robsera, que eram os caras mais ativos e cabeças dessa comunidade, queriam catalogar os sons e pediram ajuda - foi aí que me dispus a aprender e a começar a registrar essas músicas, estudei direitos autorais e fui ajudando os caras. Até o momento que eles decidiram deixar o rolê de lado e foi quando eu, contra tudo e contra todos, decidi abrir uma gravadora de Drum’n’Bass”. 

Mystific é o alias do Aaron Mello e a Falling In Love está batendo quase 1 milhão de reproduções no Spotify

Assim nasceu a DNBB e de 2012 a 2021, a gravadora era só o Aaron, lançando novos produtores, remixes e vários gêneros de forma independente, criando pequenas labels e ajudando diversos artistas. A gravadora já ganhou alguns prêmios internacionais e o Aaron também produz, assinando como Mystific, fazendo Liquid Drum’n’Bass.

Aaron comenta que, apesar do gênero não ser mainstream como foi nos anos 2000, tem tido um crescimento interessante. “Cara, tem festas todos os finais de semana no Brasil todo, tem mais de 100 produtores e DJs de Drum’n’Bass ativos no País… A gente é guerreiro do gênero, tem sido interessante ver que tem uma cena se movimentando”, ele conta. 

Tudo De Bom (House Remix), by Fernanda Porto, 55X
2 track album

Tudo de Bom, da Fernanda Porto, foi um dos últimos lançamentos da DNBB

Mas quem conhece a DNBB, vê que não só do Drum’n’Bass vive a parada. “A gente viu que o gênero por si próprio não daria dinheiro, então a gente precisou de escapes para fazer a DNBB funcionar e pagar o 'hobby', que era o Drum’n’Bass”, comenta o Aaron. “Criar selos de outros gêneros, como o House Music, foi uma forma de ter mais oportunidades financeiras rolando para a gravadora”. 

Secrets, by Jeff Gardner, Rosana Eckert
1 track album

O single Secrets, de Jeff Gardner e Rosana Eckert foi indicado ao Grammy de 2025 nas categorias Melhor Música e Melhor Performance de Jazz - e foi lançado pela DNBB

Com essa ideia de trazer novos gêneros e fomentar a música para além do Drum’n’Bass, a DNBB criou e abraçou diversos outros labels. A DNBB hoje conta com: 

DNBB Records, sendo a maior do segmento de Drum’n’Bass há anos.

Creative Records, focada em MPB, que conta com artistas como  Jeff Gardner, Conrado Paulino, Vera Medina, Latino, DJ Cuca, Sebastian Soul entre outros.

Tropical Lab Records, fundada e curada por Fernanda Porto, focada em expandir a música eletrônica através da experimentação.

Peso Records, focada em música urbana, do trap ao funk, do pop ao rap, contando com artistas como Arcanjo Ras, Kinechan, Kalixto, MC Maha entre outros.

Opt-In Records, comandada por Ale Tramontana and Mattic, dois nomes em ascensão na House Music.

Liquid Flow, gravadora alemã focada em vertentes do Liquid Drum’n’Bass, com nomes como Davide Carbone e Kate Watts.

4 Jungle Records, orquestrada por DJ Marnel, um dos nomes mais fortes do Drum’n’Bass Brasileiro.

DJ Ban Records, gravadora oficial do Instituto DJ Ban, em São Paulo, transcendendo a música eletrônica, lançando desde House Music a Psytrance.

Deepbeat Records, com foco em Bass Music de todo o mundo.

Undervision Recordings, explorando os lados mais pesados do Drum’n’Bass.

Drop Vibes Records, alemã, incorporada à DNBB, dedicada a promover e distribuir o melhor do House 4x4 e seus subgêneros.

Mid Large Records, uma label dedicada em misturar Indie, Folk e Música Eletrônica.

Beat Quarter Records, com o pulso do 4x4 como força motriz. 

Pra Espantar A Dor (Afro House), by Tabbi
1 track album

Tabbi e seu Afrohouse é uma aposta grande da DNBB para 2026

Hoje a DNBB Music Group é um grupo de gravadoras muito ativo, lançando artistas consagrados da música eletrônica de várias vertentes. Em seus lançamentos recentes, Drumagick, Mad Zoo, Ramilson Maia, Fernanda Porto, Tabbi, Dj Marnel, entre outros, tiveram novas músicas dentro da DNBB. Em 2024, a DNBB Music Group, ganhou o prêmio de maior grupo de musica independente eletronica das Americas pela revista e portal Music Ally, do Reino Unido.

Além do lado musical, a DNBB tem feito um trabalho no Brasil todo de palestras e eventos levando a informação sobre o direito autoral dentro do cenario eletrônico, em diversos eventos como o Rio2C, Trends Music Conference, SIM Musica SP, Conecta+ e Tum Festival em Porto Alegre.

A DNBB ainda assina uma coluna fixa na Revista DJ Sound, outra na TF Magazine, tem um programa na rádio 82,3 FM, Guardiã da Notícia, em São Paulo, e patrocina times de futebol de várzea da Zona Leste de São Paulo. Realmente um trabalho de agregador cultural de muitas frentes levando a música eletrônica ainda mais longe.


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