Com The Brismo 2.0, PACE e ASICS sobem o sarrafo

Da estreia global em 2023 ao The Brismo 2.0 em 2026, a parceria entre PACE e ASICS mostra como uma colab pode evoluir em capítulos.

Com The Brismo 2.0, PACE e ASICS sobem o sarrafo

Em um mercado onde quase toda semana surge uma nova colab, a pergunta deixou de ser "quem está colaborando com quem" e passou a ser quais projetos conseguem permanecer relevantes depois que o lançamento passa.

O estrategista Bimma Williams, fundador do Collab Lab, costuma observar que o problema da indústria não é o excesso de colaborações, mas a falta de clareza cultural em muitas delas. Quando a parceria existe apenas para gerar barulho momentâneo, ela se esgota rápido.

Por aqui, já passamos pelo jeito que a adidas trabalha, transformando parcerias em capital social.

O comentário de Bimma ajuda a entender por que o projeto The Brismo, criado pela marca de streetwear brasileira PACE em parceria com a gigante japonesa do esporte ASICS, acabou chamando atenção dentro da cultura sneaker. O que poderia ser mais um lançamento isolado se desenvolveu em dois capítulos distintos, um em 2023 e outro agora, em 2026.

Capítulo 1 , The Brismo (2023)

O primeiro capítulo do projeto foi lançado em 29 de setembro de 2023 e utilizou como base o modelo ASICS GEL‑QUANTUM 360 VII. A linha Quantum 360 é conhecida dentro do catálogo da ASICS pelo amortecimento em GEL visível em toda a extensão da entressola , um sistema pensado originalmente para performance, mas que acabou se tornando também um elemento estético reconhecido dentro da cultura sneaker.

A criação partiu da visão de Felipe Matayoshi, fundador da PACE, cuja trajetória conecta referências brasileiras com sua herança cultural de Okinawa, no Japão. Essa relação cultural foi traduzida no design do tênis por meio de texturas e tons inspirados em superfícies naturais, além do grid característico da ASICS presente no cabedal.

Desde o início, o projeto foi pensado como uma colab global. Embora desenvolvido a partir do Brasil, o lançamento aconteceu simultaneamente em diferentes mercados. No Brasil, o lançamento contou com um pop‑up na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Filas, brindes para os primeiros compradores e esgotamento rápido do estoque mostraram que o projeto tinha ressonância real dentro da comunidade sneaker.

Entre criadores brasileiros que acompanham a cultura de tênis de perto, o modelo apareceu em diversas listas pessoais de melhores lançamentos do ano, consolidando o projeto como um dos momentos mais comentados do cenário local naquele período.

A colaboração foi celebrada tanto no mercado internacional quanto na comunidade local.

Capítulo 2 , The Brismo 2.0 (2026)

O segundo capítulo chega em 2026 e parte de uma nova base: o modelo ASICS GEL‑KAYANO 12.1. Diferente do primeiro projeto, o desenvolvimento do The Brismo 2.0 incluiu um período de trabalho direto com a equipe da ASICS no Japão.

Entre janeiro e fevereiro de 2025, Felipe e Juliana Matayoshi estiveram em Kobe, cidade onde fica o ASICS Sports Science Research Institute (ISS), centro de pesquisa e inovação da marca. Ali, acompanharam protótipos e revisões do produto ao lado da equipe de desenvolvimento da empresa.

Esse tipo de participação no processo técnico ainda é relativamente incomum em muitas colaborações de moda, que costumam trabalhar apenas sobre a estética final do produto.

O novo trabalho de Felipe e Juliana Matayoshi em detalhes.

O conceito do arroz

O ponto de partida conceitual do The Brismo 2.0 é o arroz, alimento presente tanto na cultura japonesa quanto na brasileira.

A referência aparece em diferentes elementos do design. O cabedal utiliza materiais pensados para reproduzir a textura do arroz cru ao toque. O design traz também o Tomoe, símbolo tradicional japonês formado por três formas curvas em rotação.

Outro detalhe do projeto faz referência ao Sanshin, instrumento musical de Okinawa cuja estrutura utiliza tradicionalmente couro de cobra. Essa associação aparece em um painel texturizado do tênis. Na parte traseira do calçado, um acabamento metálico abriga uma pequena semi‑esfera vermelha pressionável, criando um elemento interativo que amplia a experiência tátil do objeto.

A paleta de cores vermelha e branca também tem origem pessoal. Segundo Felipe Matayoshi, ela foi inspirada em uma motocicleta colecionável de 2012.

Lançamento global

Assim como o primeiro capítulo, o The Brismo 2.0 também foi pensado como um projeto de alcance internacional.

O lançamento digital acontecerá em 6 de março de 2026 nos sites da PACE e da ASICS. No dia seguinte, 7 de março, o modelo chega às lojas físicas da PACE e a unidades selecionadas da ASICS em São Paulo.

A distribuição também incluiu parceiros globais como a Kith, reforçando a presença do projeto fora do Brasil.

Quando uma colab vira história em capítulos

Ao observar os dois lançamentos em sequência, fica claro que o projeto não se limita a um único momento de hype.

The Brismo estabelece uma linguagem inicial. The Brismo 2.0 amplia essa linguagem com novos símbolos, materiais e um processo de desenvolvimento mais profundo.

Em um mercado saturado de colaborações, projetos que conseguem evoluir dessa forma acabam funcionando como estudos de caso. Eles mostram que uma colab pode operar como plataforma criativa contínua, algo construído ao longo do tempo, não apenas lançado uma vez.


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