Chama Festival: a cena em combustão
A Porta Maldita e Inferninho Trabalho Sujo reúnem oito bandas e convidados inéditos em dois palcos na Casa Rockambole
A Porta Maldita e o Inferninho Trabalho Sujo se unem mais uma vez para jogar luz sobre o que está surgindo agora. O Chama Festival volta para sua segunda edição reafirmando sua proposta central: apresentar novas bandas, artistas que ainda estão em processo de construção, mas já carregam identidade, urgência e vontade de ocupar espaço.

A ideia do festival nasce da escuta atenta da cena recente. “Faz quase três anos que eu faço uma festa chamada Inferninho Trabalho Sujo, que é justamente pra mapear as bandas que têm aparecido nesse período pós-pandêmico”, explica Alexandre Matias, um dos criadores do Chama. Segundo ele, esse movimento coincidiu com o surgimento de “bandas da geração Z, a molecada que nasceu no final dos anos 90, começo do século, que agora está retomando uma coisa que tava meio fora de moda, que era fazer banda”.
No dia 7 de fevereiro, a Casa Rockambole recebe oito nomes que ajudam a desenhar um retrato vivo da cena atual: Celacanto, Naimaculada, Nigéria Futebol Clube, Cianoceronte, Copo e Água, Nevoara, Baile do Peixe e Los Otros. Os shows acontecem de forma alternada em dois palcos, criando um fluxo contínuo de apresentações ao longo da tarde e da noite.

O formato do festival também reflete esse olhar atento para o agora. “A gente fechou esse formato: são oito bandas, nunca tem superposição de show”, conta Matias. Além disso, cada artista é convidado a expandir sua apresentação. “As bandas chamam outros artistas pra participar, então quem já conhece os shows acaba vendo um show novo”, com participações quase sempre inéditas.
A curadoria é pensada para não engessar a cena nem limitar o recorte a um único gênero. “O critério de escolha das bandas tem muito a ver com o tipo de som, pra gente não ficar preso a um estilo, também de regiões diferentes da cidade e bandas que não necessariamente já tenham tocado umas com as outras”, afirma Alexandre. “Com isso, a gente acha que está conseguindo mapear bem o que está acontecendo na cena independente.”

Mais do que um line-up, o Chama Festival se propõe como um recorte de cena. Um espaço para descobrir bandas novas antes do hype, fortalecer redes entre artistas e público e acompanhar de perto os primeiros passos de quem pode definir os próximos anos da música independente brasileira. Como resume Matias, o festival também responde a uma provocação recorrente: “é meio que uma resposta pra quem fica falando ‘que não tem mais banda boa hoje em dia’. Tem bastante”.

Chama Festival
Sábado, 13 de setembro de 2025
A partir das 16h20
Casa Rockambole
Rua Belmiro Braga, 119, Pinheiros, São Paulo/SP
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos antecipados aqui