Busca Forma cria e destrói a arte de Josimar Freire
O artista pega uma ferramenta de reinterpretar espaço e transforma em tela para suas artes e manobras
Quem anda de skate sabe que não existe muito apego com a arte que vem embaixo do shape: em uma sessão a coisa já vai embora. Se você anda de skate na rua, não pode ter apego com isso. Mas quando junta arte e essa plataforma, o shape ganha um novo significado e, muitas vezes, mora numa parede de uma exposição ou vira objeto decorativo de casa.

Não é o caso da Busca Forma, a nova série de Josimar Freire, que busca desapegar da arte produzida nos shapes e botar na lixa qualquer traço que um dia já foi pensado e desenhado a mão. A série, pensada inicialmente com peças individuais, seguindo a produção de linhas e formas geométricas de trabalhos anteriores do Josimar, encontra nos shapes um lugar para viver e morrer. Segundo ele, "a intenção dos shapes foi de querer praticar esse desapego mesmo, levar o trabalho pra ser usado e destruído pela cidade".
"E também é uma forma de exposição, pelo interesse que gera quando as pessoas observam um gráfico que tem essa atmosfera da minha produção" - Josimar Freire
As influências do Josimar são diversas e, uma das mais fortes, é a música, já que também é pesquisador e DJ na festa Bang!. Ele conta: "Já se vão mais de 15 anos nessa caminhada de produzir, tocar e garimpar, então esse universo gráfico da indústria musical sempre me influenciou; além das capas, me apego muito aos materiais promocionais de gravadoras, encartes, releases e os cartazes de festas da cultura sound system, do início do hip hop e da Disco Music".


" Aqui justamente estou aberto a mudar essa dinâmica e produzir sem uma sequência formal, são exercícios onde busco forçar o desenvolvimento de novas composições a partir do impulso e de formas mais convencionais.
Esse processo depois me auxilia a voltar a fixação por unidade que tenho dentro das minhas outras séries" - Josimar Freire
Escolher o skate como plataforma para suas obras não é algo pretensioso, já que ele anda de skate (e muito bem, diga-se de passagem). Josimar começou a andar de skate com 9 anos e traz consigo essa influência para dentro dos trabalhos: "A coleção de momentos da cidade que a gente vive acaba refletindo no meu trabalho, onde tem um pensamento de construção de circuitos gráficos que vem muito dessa exploração dos detalhes urbanos. Minha maior escola é remar muito, saber a parte mais lisa e mais áspera do asfalto, o tempo do sinal de trânsito, a calçada que é boa mas a borda é ruim, são muitos detalhes que só a gente enxerga e de alguma forma essa observação retorna pra pintura e para as composições. Por isso também tenho esse pensamento linear dentro do abstracionismo geométrico e retilíneo, da precisão no traço, tudo isso pode ser associado com a prática e o olhar no skate".

A série Busca Forma também ganha um vídeo onde o artista cria e destrói: a parte da pintura e a parte das manobras convergendo em momentos que fazem sentido na vida do Josimar.
A Busca Forma ganha vida nas sessões de skate, mas conversa com trabalhos anteriormente expostos do Josimar. "Os shapes espero colocar em alguma publicação reunindo meus trabalhos que tem ligação direta com o skateboard, mas pra exposição não porque todos foram usados, quebrados ou doados". Segundo ele, andar de skate com as obras " também é uma forma de exposição, pelo interesse que gera quando as pessoas observam um gráfico que tem essa atmosfera da minha produção".

Conheça mais sobre o trabalho do Josimar Freire aqui.