A Cogumelo Records tem muita pedrada no seu catálogo
Com mais de 40 anos de história, a gravadora e loja brasileira se tornou referência mundial na música pesada, lançando vários clássicos do Brasil
João Eduardo e Pat Faria abriram uma loja chamada Cogumelo Discos e Fitas nos anos 80 em Belo Horizonte e talvez nunca imaginariam que se tornariam a gravadora e o selo mais importante de música pesada da nossa história brasileira. Dedicados a ajudar bandas independentes nacionais, os dois abriram o selo em 1985 e o daí surge a Cogumelo Records, que viria a lançar vários estilos musicais, mas com dedicação maior ao rock e ao metal - do hardcore ao black metal.
O sucesso foi gigante, muito devido ao investimento da Pat na Cogumelo, à dedicação das bandas e a abertura do estúdio JG Studio, em Belo Horizonte. Dali surgiram os primeiros registros de bandas que hoje são mundialmente importantes e que levaram o nome do metal nacional longe.
Em 2023, a Cogumelo lançou seu catálogo de 40 anos, mesclando história e discos lançados, mostrando o peso e a importância do selo mineiro na história da música brasileira.


Hoje aqui na ISMO, a gente olha pra lançamentos importantíssimos da Cogumelo, que fizeram história e levaram a música pesada (ou não) para outros lugares, em diferentes épocas e situações da história da gravadora.
Overdose/Sepultura - Século XX/Bestial Devastation (1985)
Lançado no primeiro ano, esse foi o primeiro registro dessas duas bandas locais de BH. A Cogumelo lançaria depois outros discos importantes das bandas, como o Morbid Visions e o Schizophrenia do Sepultura, mas esse split é importante porque marca um novo patamar de gravação e de som feito por aqui. Esses lançamentos influenciaram o mundo todo, fazendo com que bandas do "terceiro mundo” também fossem notadas e pudessem ver a possibilidade de fazer som pesado fora do eixo Europa-EUA.


Ratos de Porão - Cada dia mais sujo e agressivo (1987)
O terceiro álbum do Ratos de Porão saiu em 1987 e foi um marco no crossover do metal com o punk. A relação próxima dos caras do Ratos com o pessoal do Sepultura, as viagens para Belo Horizonte, troca de elogios entre as bandas, tudo isso foi um cenário muito propício pro Ratos ficar ainda mais sujo e agressivo (pega esse trocadilho) e estar cada vez mais conectado com o metal e com os headbangers.

Sarcófago - I.N.R.I. (1987)
Um disco pesado do início ao fim, que influenciaria novos estilos ao redor do mundo. O Sarcófago com seu disco de estréia, o I.N.R.I. foi pioneiro em sonoridade, possibilidades e até no visual, já que os membros usavam corpse paint - tudo isso influenciou o Black Metal Europeu que viria a ficar famoso na década seguinte.

Pato Fu - RotoMusic de Liquidificapum (1993)
Não só de metal e hardcore viveu a Cogumelo Records e nos anos 90 lançou bandas que despontaram no cenário do rock alternativo brasileiro, como o Pato Fu e Tianastácia. O primeiro disco do Pato Fu trazia um som diferente, esquisito, alternativo de fato, experimental, meio maluquinho, que a banda viria seguir fazendo até hoje. Foi uma bela aposta da Cogumelo.

D.F.C. - Sob o Signo de Satã (1999)
Mesmo amargando uma década marcada pela queda nas vendas, mudança de CD pra vinil, outros gêneros tomando conta do rock, como o grunge, as bandas brasileiras que estavam junto da Cogumelo Records se mostraram resistentes. No fim do século, o D.F.C. lança o Sob o Signo de Satã, um clássico do hardcore nacional.

Hateful Murder - No Peace (2014)
Nos anos 2000, o legado da Cogumelo continuaria influenciando bandas e fazendo pessoas quererem gravar com os caras. Com a internet e a volta de bandas a fazerem som pesado, o cenário estava propício para o Hateful Murder lançar o No Peace, em 2014, seu primeiro full. Esse álbum marcou também uma evolução considerável nas gravações da Cogumelo, trazendo a gravadora para uma era mais moderna do metal extremo.

Siegrid Ingrid - Back From Hell (2023)
Um dos principais nomes da música pesada dos anos 90 no Brasil, o Siegrid Ingrid, lançou em 2023 o Back From Hell, seu terceiro trabalho de estúdio, 24 anos depois do último. Esse disco marcou a volta do Siegrid aos estúdios e, melhor ainda, à forma que ficou conhecida nos 90, misturando ritmos pesados para fazer um som próprio. Década de 20 do século XXI e a Cogumelo ainda lançando pedradas.
